As principais cidades francesas vivem esta quarta-feira um novo dia de tensão com os protestos do movimento ‘Block Everything’ (‘Bloquear Tudo’, em tradução livre), que levou milhares de pessoas às ruas em contestação contra o presidente Emmanuel Macron e a elite política. Mobilizaram cerca de 175 mil pessoas, segundo um novo balanço do Ministério do Interior francês.
De acordo com a Reuters, manifestantes bloquearam estradas, ergueram barricadas em chamas e confrontaram-se com a polícia em Paris, Nantes, Rennes e Montpellier, entre outras localidades. Em resposta, as autoridades mobilizaram mais de 80 mil agentes de segurança em todo o país. Só na capital francesa foram detidas mais de 200 pessoas.
No total, 473 indivíduos foram detidos e 13 agentes da polícia ficaram feridos durante os confrontos registados em várias cidades do país.
A maior parte das iniciativas não chegou a atingir alvos estratégicos, devido à ação preventiva das autoridades. O governo francês mobilizou 80 mil polícias e militares por todo o território, numa resposta coordenada às ações de bloqueio e manifestações convocadas por sindicatos e grupos ativistas.
Em Bordéus, o final da tarde foi marcado por episódios de violência após o fim do cortejo principal. Foram registadas 12 detenções e atos de vandalismo, incluindo incêndios em contentores de lixo e danos em mobiliário urbano. A polícia utilizou gás lacrimogéneo e dois disparos de balas de borracha para dispersar manifestantes que construíam barricadas.
“Condeno com firmeza as degradações e as violências inaceitáveis cometidas por uma minoria de indivíduos determinados”, afirmou em comunicado o prefeito de Gironde, Étienne Guyot.
Também em Lyon, onde não se registaram bloqueios significativos, o presidente da câmara, Grégory Doucet, reagiu aos confrontos. “As violências que se desenrolam na nossa cidade são intoleráveis (…). Quando vândalos se apropriam destas mobilizações populares, enfraquecem a sua mensagem”, afirmou o autarca.
Na capital francesa, Paris, os protestos concentraram-se na Praça da República, onde a estátua central foi vandalizada com grafitis de teor político. A presença de bandeiras palestinianas foi visível, e o ambiente manteve-se relativamente calmo até à chegada da chuva. Um forte aguaceiro levou muitos manifestantes a abandonar o local.
Em Rennes, os protestos também motivaram intervenção policial, com uso de gás lacrimogéneo. Em Nantes, os manifestantes realizaram uma assembleia popular junto às Nefs da cidade para discutir a continuação do movimento.
A CGT, principal central sindical francesa, considerou o dia uma “primeira etapa bem-sucedida”, referindo a realização de quase 200 manifestações e a mobilização de cerca de 250 mil pessoas, incluindo 10 mil trabalhadores das Finanças públicas e 25% dos funcionários da SNCF (caminhos-de-ferro).
As manifestações surgem num momento delicado para o Governo: Sébastien Lecornu tomou posse esta quarta-feira como novo primeiro-ministro, depois da queda do anterior executivo devido à contestação em torno de cortes orçamentais avaliados em 44 mil milhões de euros.
França enfrenta um défice quase o dobro do limite europeu de 3% e uma dívida pública equivalente a 114% do PIB.
O novo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acompanhou os acontecimentos a partir da célula de crise do Governo, juntamente com os ministros do Interior, Cultura e Transportes.



