O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil formou maioria para condenar Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, em 2022.
O veredicto foi anunciado esta quinta-feira, depois de a juíza Cármen Lúcia ter votado a favor da condenação do ex-presidente. Com este voto favorável, confirmou-se a maioria necessária (três em cinco) para selar a condenação de Bolsonaro.
O primeiro a tomar a palavra neste julgamento foi Alexandre de Moraes, o relator do processo, que afirmou, na terça-feira, que o Brasil “quase voltou a ser uma ditadura” durante o alegado golpe falhado. O ex-ministro da Justiça de Lula da Silva, Flávio Dino, também votou pela condenação, acreditando que os crimes em julgamento “não são passíveis de amnistia”.
Na quarta-feira, o ministro Luiz Fux abriu divergência e pediu a anulação do processo contra o ex-presidente brasileiro, argumentando com a “absoluta incompetência” dos juízes do Supremo.
Para além de Jair Bolsonaro, o julgamento envolve outros sete réus, incluindo ex-ministros e oficial militares. Bolsonaro e os restantes são acusados de tentativa de golpe de Estado no final de 2022, para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Todos os réus negam as acusações.
Inelegível para as eleições até 2030 e em prisão domiciliária desde o início de agosto, Bolsonaro está ausente das audiências por motivos de saúde, segundo os seus advogados.
Ainda não foram definidas as penas, mas Moraes sugeriu somar as punições e Dino defendeu penas diferentes, conforme o grau de envolvimento de cada réu.
Os ministros ainda vão discutir, na sexta-feira, o tamanho da punição aplicada a cada um dos réus. Jair Bolsonaro, de 70 anos, pode ser condenado a uma pena de até 43 anos de prisão.
Uma vez definida a condenação, a próxima etapa é a definição do tempo de pena, que envolve três fases. Primeiro é afixada a pena-base, conforme os limites da lei. Na segunda fase, os magistrados avaliam as circunstâncias que atenuam ou agravam a pena e na terceira fase, são verificadas eventuais causas de diminuição ou aumento de pena.
Com Agências



