«Reconheço que nem tudo esteve bem, mas não era o melhor período para começar com a nova empresa. Julgo que, agora, está em vias de resolução». Foi nestes moldes que a presidente da câmara municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, abordou o tema relativo ao ‘caos’ vivido nos meses de Julho e Agosto com a (não) recolha de resíduos sólidos no concelho.
Durante a última assembleia municipal do mandato, na última noite, a autarca deu a ‘mão à palmatória’ e reconheceu que «ainda não está tudo bem. Com a ajuda dos presidentes de junta, da empresa e de todos os vilaverdenses, vamos conseguir afinar e colocar tudo na normalidade».
A posição da autarca surgiu em reação à posição do Paulo Gomes, deputado municipal do CDS-PP, que não esqueceu o ‘tema quente’ do Verão. «A transição trouxe falhas visíveis», disse, apontando, sobretudo, falhas ao nível de «um planeamento mais atempado e de um acompanhamento mais cuidado».
Mas também fez questão de criticar aqueles que ousaram «esconder-se atrás de ecrãs e das redes sociais» para criticar e não aparecer «nos lugares próprios para apresentar e discutir de forma séria e aberta».
Numa assembleia de despedidas e ‘palmadinhas nas costas’, Paulo Gomes salientou que «o problema não está resolvido, mas em vias de resolução».
Por entre um tom surpreendentemente ‘elogioso’ ao executivo de maioria laranja, o eleito dos populares e agora candidato independente do ‘Amor a Vila Verde’ de Feitor até falou dos grandes investimentos na rede pública de água e chamou à colação «a responsabilidade dos munícipes» e uma «certa falta de cidadania».
O deputado lembrava a falta de cuidado na colocação dos resíduos na rua e alguma falta de informação de alguns agentes públicos.
«Esperava maior colaboração, mas, sobretudo, mais acompanhamento e planeamento. Falharam, claramente», disse.
Para Paulo Gomes, é chegado o tempo de agir e resolver». Inclusive, pede que aos incumpridores sejam aplicadas «penalizações. A responsabilidade pertence a todos».
Embalada pelo canto elogioso de Paulo Gomes, a presidente de câmara sentiu-se mais confortável e garantiu que «Setembro é o mês de tranquilizar e afinar tudo», mas também de «maior sensibilização. Precisamos de todos, dos senhores presidentes de junta, mas também dos cobradores da água, que vão levar a informação detalhada sobre os dias e horas de passagem».
Porém, também garantiu que, «caso a empresa não consiga afinar e acertar com o que estar assumido em contrato, haverá penalizações».
Foi, de resto, o tom mais áspero de uma assembleia municipal em que se enterraram os ‘machados de guerra’ e se ‘fumaram os cachimbos da paz’, que marcou ainda a despedida de Manuel Barros das lides políticas locais com uma extensa explicação sobre a sua retirada para enveredar por uma «nova fase da minha participação cívica e política».
Foi ainda a despedida, ou um até já, de Ricardo Cerqueira (Bloco de Esquerda), com a convicção de que «se não se fez mais não foi por desleixo e falta de intervenção do Bloco de Esquerda».
Em véspera de eleições autárquicas, Júlia Fernandes não esqueceu de (com)provar o seu sentido maternalista ao assumir que o seu ‘filho pródigo de Atiães’ vai ter o ‘rebuçado’ por que tanto pugnou durante o mandato: «senhor presidente, Samuel Estrada, a fiscalização identificou que a concessão na antiga escola primária não tem atividade, pelo que os serviços jurídicos vão iniciar o processo de denúncia do contrato e resgatar a escola».
Numa sessão de ‘paz e amor’ – onde se destacou ainda a presença do ‘vereador sem pelouros’, Adriano Ramos (em transição para outra fação política também disposta a ajudar a limpar o lixo de Vila Verde) –, fica a nota para a Lage, com os ‘candidatos’ e ex-autarca a dirimirem argumentos por causa de uma pequena parcela de terreno de 78m2 que passa para domínio privado em troca de um arranjo urbanístico no lugar do Montinho.
O tom foi tão cordial que nem o reconhecimento do interesse municipal sobre uma edificação no Palacete Avelino de Sousa, em Couceiro, para instalação de um empreendimento turístico, conseguiu desenterrar o ‘machado de guerra’.
Obrigou apenas a vereadora da tutela, Michele Alves, a explicar procedimentos técnicos (e não políticos) quando questionada pelo autarca de Atiães, Samuel Estrada. O ponto acabou por ser aprovado por maioria, com 12 abstenções.
A despedida do autarca de Escariz, Adelino Machado, manteve o tom cordial e emotivo, rematado com um «obrigado e profundo agradecimento» do presidente da assembleia municipal, Carlos Arantes, que também encerrou o mandato autárquico 2021-2025.



