Opinião de Luís Sousa
A fragilidade mais evidente da candidatura de Filipe Melo é o facto de ser o único candidato à Câmara de Vila Verde que não é do concelho. Não sendo as suas origens extramunicipais impeditivas de se apresentar a votos, não deixa de ser um aspeto para o qual os vilaverdenses dão, naturalmente, importância e que o faz partir de trás. Filipe Melo sabe-o, com certeza.
Não é por acaso que é insistente em justificar as suas origens minhotas numa tentativa de atenuar possíveis consequências políticas por ser uma espécie de migrante que cai de paraquedas em Vila Verde. Num dos vídeos que partilhou nas suas redes sociais, Filipe Melo apresenta-se até como alguém que conhece melhor Vila Verde do que Júlia Fernandes, como se quem precisasse de um GPS para calcorrear o concelho fosse a Presidente da Câmara e não o próprio Filipe Melo. Sendo de fora, soa a arrogância.
Conhecer Vila Verde não é passar pela Estrada Nacional 101 ou visitar uma festa popular. Conhecer o concelho é saber quais são os reais problemas e necessidades das freguesias, é trabalhar ativamente com os presidentes de junta, é cooperar com as instituições do concelho, do setor social, cultural, desportivo e eclesiástico, é estar ao lado do comércio local e fomentar o seu desenvolvimento, é incentivar a atividade empresarial e trazer empresas para o concelho através, entre outros aspetos, de políticas fiscais atrativas. É percorrer as ruas de Vila Verde e conhecer as pessoas da terra, muitas delas até pelo nome. É ouvi-las. E isto não se faz em 15 dias. São anos de proximidade e dedicação à terra.
Depois de ter faltado ao único debate que houve entre (alguns) candidatos, Filipe Melo tem sido insistente no que toca a pedir um debate com Júlia Fernandes. Devo dizer que é legítima a sua insistência, embora criticável quando exclui desse peditório os outros partidos e candidatos. O debate democrático faz-se com todos e não apenas com alguns. Sendo notória a sua vontade em debater, espero que, se for eleito vereador, marque presença nas reuniões de Câmara e Assembleia Municipal e não siga o exemplo de outros do partido no Município de Moura.
Governar exige responsabilidade e não apenas fogo de artifício verbal. Os vilaverdenses exigem soluções sérias e sustentáveis. Não é por acaso que Vila Verde foi crescendo com equilíbrio financeiro, reduzindo dívida municipal ano após ano. Ao mesmo tempo, continuou a investir na rede de saneamento e de abastecimento de água (mais de 2 milhões de euros), na educação (4,77 milhões de euros), na ação social (660 mil euros), na cultura e no desporto (cerca de 1 milhão de euros) e em todas as freguesias, de norte a sul.
Os dados que citei dizem respeito, apenas, ao ano 2024, mas estes processos são de continuidade, exigem tempo, planeamento e recursos. Quem chega de fora e promete revoluções instantâneas ignora — ou finge ignorar — que o concelho não é um palco para experiências rápidas, mas uma casa com 48 mil habitantes que precisa de estabilidade. Para obras estruturais não chega conversa de feira. É preciso trabalhar com seriedade e ter uma equipa de gente competente.



