Crónica de Salvador de Sousa.
Meus caros leitores, após uma pequena interrupção com uma introdução de outros temas que estavam na ordem do dia, regresso a este sobre “a devoção de Nossa Senhora ao longo da História”, passando pelo povo simples aos grandes literatos como foi o caso de Luís de Camões e de tantos outros que escrevi nas minhas crónicas iniciais. Já muito antes de Fátima a devoção foi sempre de carinho para com a Nossa Mãe do Céu. Estas crónicas foram todas publicadas no Diário do Minho.
Respeito aqueles que não gostam de ler estas coisas, mas o jornal é para todos e quem não gostar que passe à frente. São 104 crónicas que escreverei, neste nosso jornal, com subtemas, é evidente, sempre diferentes.
- A Imagem Peregrina volta às terras asiáticas
Logo ao amanhecer, no dia 28 de outubro de 1950, a Imagem Peregrina sai de Lisboa, passando por Roma, em direção às terras longínquas da Ásia e da Oceânia, permanecendo na capital Papal até ao dia 2 de novembro onde, no dia anterior, foi definido o Dogma da Assunção. Nossa Senhora foi acolhida num convento de Religiosas, localizado junto ao Vaticano, tendo o Papa Pio XII avistado fenómenos do Sol semelhantes aos que foram presenciados no dia 13 de outubro de 1917.
A peregrinação chegou a Singapura, após algumas paragens no Cairo, Bombaim e Calcutá. A população acolheu a Virgem de uma forma efusiva, no meio da qual se encontravam maometanos, hindus, aclamando, diziam eles, «Aquela que é a única esperança do mundo.»
As procissões foram percorrendo, no meio de uma enorme multidão, a cidade de fortes raízes maometanas, presenciando-se cenas comoventes de difícil explicação: pessoas que se convertiam, algumas sem qualquer religião, como foi o exemplo de um marinheiro que passava e, atraído por aquela gente que rezava, cantava com grande entusiasmo junto à Igreja da Missão Portuguesa, parou, olhou, ajoelhou-se, orou com os olhos fitos na Bendita Imagem toda florida que parecia sorrir. Seguidamente, procurou um sacerdote, dizendo: Ao ver a fé desta gente foi-me impossível continuar sem abraçar esta minha nova vida…
Os malaios não se importaram pelo estado de sítio e da situação perigosa com que se encontrava aquela zona. A Comissão Organizadora foi corajosa e, realmente, a Polícia e outras autoridades não impediram todas estas manifestações de fé durante a noite. Em Penang (Malásia), o povo, numa cerimónia ao ar livre, quis homenagear Nossa Senhora de Fátima, doando-lhe uma coroa de ouro e um terço.
Seguidamente, a ”imagem Celeste” seguiu de avião para Sião que, apesar da sua população de maioria budista e onde existe um dos grandes templos Budistas, foi recebida com paixão e com exteriorizações prodigiosas. Bangkok parecia, naquela tarde do dia 2 de dezembro, um centro em que o catolicismo reinava. Eram centenas de carros a ostentar a bandeira do Papa e a bandeira de Sião como que numa atitude de unidade e de reverência ao representante de Cristo na terra. As próprias autoridades, o Corpo Diplomático, marcavam presença neste tão ilustre evento. Todos afirmavam, incluindo os próprios budistas, que nunca houve tão grande manifestação de regozijo com extensas multidões eufóricas a aclamar uma Imagem que passa, tocando o próprio coração do Monarca. Ações prodigiosas!
Há coincidências dignas de registo: «Em dezembro de 1940, no decurso de uma grande perseguição religiosa, foram martirizadas várias religiosas. Uma delas, antes de expirar, disse para os verdugos: Agora o Sião sofre uma grande perseguição, mas, dentro de dez anos, receberá uma grande graça.» Nossa Senhora, ao perfazer os dez anos, visita Sião, mostrando e dando credibilidade àquela profecia. Ainda, nesta região, Chineses residentes passaram a noite em oração aos pés da Imagem, pedindo pelos seus irmãos da China que não puderam receber, naquele momento, a Virgem Maria.
Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História…



