Um empresário português, também com nacionalidade moçambicana, foi raptado esta manhã na baixa de Maputo, em frente ao seu estabelecimento comercial, confirmou à Lusa o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (Sernic), Hilário Lole. É o primeiro rapto conhecido publicamente desde junho na capital moçambicana.
O crime ocorreu por volta das 06h00 locais (05h00 em Lisboa), na avenida Zedequias Manganhela, quando o homem, de cerca de 60 anos, foi interpelado por seis indivíduos armados com espingardas AKM e pistolas. O grupo obrigou a vítima a entrar num veículo sem matrícula, fugindo em seguida do local.
Segundo testemunhas, o empresário é proprietário de uma loja de acessórios para automóveis, situada na mesma avenida onde ocorreu o rapto. Um vídeo captado no momento mostra dois dos raptores a abordarem a vítima quando esta saía da sua viatura, arrastando-a à força para outro carro, antes de o veículo arrancar em alta velocidade.
O porta-voz do Sernic confirmou que estão em curso diligências para identificar os autores e localizar a vítima.
Este é o primeiro rapto registado publicamente desde 21 de junho, quando um cidadão libanês, dono de uma farmácia, foi raptado também no centro da cidade. Desde 2011, Moçambique tem sido palco de uma onda persistente de raptos, maioritariamente direcionados a empresários e familiares de origem asiática, que controlam grande parte do comércio urbano.
De acordo com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), cerca de 150 empresários foram raptados nos últimos 12 anos, e pelo menos uma centena abandonou o país por medo.
Apesar das autoridades garantirem que o número de casos tem vindo a diminuir — o Sernic apontou quatro raptos nos primeiros cinco meses de 2025, contra oito em igual período do ano anterior — o fenómeno continua a gerar alarme e insegurança na comunidade empresarial.
A antiga procuradora-geral da República, Beatriz Buchili, revelou no parlamento, em 2024, que muitos destes crimes são planeados fora do país, nomeadamente na África do Sul, e que desde 2011 288 pessoas foram detidas por envolvimento em redes de rapto.
O caso do empresário luso-moçambicano reaviva agora os temores de um novo ciclo de sequestros na capital, num momento em que as autoridades tentam recuperar a confiança da população e do setor económico.



