O Prémio Nobel da Literatura de 2025 foi atribuído ao escritor húngaro László Krasznahorkai, “pela sua obra convincente e visionária que, no meio de um terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”, anunciou esta quinta-feira o secretário permanente da Academia Sueca, Mats Malmo, em Estocolmo.
Era o escritor que liderava a preferência nas casas de apostas, autor de romances, contos e guiões, além de trabalhar com o realizador Béla Tarr.
László Krasznahorkai “é um grande escritor épico da tradição da Europa Central, que se estende de Kafka a Thomas Bernhard, e é caracterizado pelo absurdo e pelo excesso grotesco”, descreve o Comité Nobel.
Em Portugal o autor húngaro tem publicado apenas “O Tango de Satanás”, mas a 20 de outubro chega às livrarias nacionais ‘Herscht 07769’, romance em que Krasznahorkai traça um “retrato credível” de uma pequena cidade na Alemanha “afetada pela anarquia social, homicídios e incêndios criminosos”. Um livro “sobre violência e beleza ‘impossivelmente’ conjugadas”, aponta o Comité Nobel.
Nascido em 1954 na pequena cidade de Gyula, no sudeste da Hungria, perto da fronteira com a Roménia, Krasznahorkai descreveu no seu primeiro romance – ‘Sátántangó’, publicado em 1985 e sensação literária na Hungria, marcando a consagração do autor – um cenário rural semelhante àquele em que passou a infância.
O autor húngaro também “olha para o Oriente ao adotar um tom mais contemplativo e finamente calibrado”, com várias obras inspiradas nas impressões profundas deixadas pelas suas viagens à China e ao Japão.
Krasznahorkai foi distinguido com inúmeros prémios literários, nos quais se incluem o America Award in Literature em 2014, o Man Booker International Prize em 2015, o Prémio Kossuth, o National Book Award for Translated Literature em 2019, o Austrian State Prize em 2022 e o Prix Formentor em 2024.



