O primeiro-ministro, Luís Montenegro, já reagiu à morte de Francisco Pinto Balsemão. Recordou a vida e o percurso do fundador do PSD e da SIC e do Expresso, que morreu esta terça-feira.
Montenegro manifestou “muita consternação” pela morte de Francisco Pinto Balsemão, fundador do partido e antigo primeiro-ministro, sublinhando o seu papel decisivo na criação da social-democracia portuguesa e na consolidação da democracia.
“Foi com muita consternação que recebi em primeira mão a notícia e a transmiti ao Conselho Nacional do PSD. Naturalmente, prestámos já uma profunda, justa e calorosa homenagem àquele que é o símbolo da nossa formação, dos nossos valores e instrumento de intervenção no nosso país”, afirmou Montenegro, em declarações aos jornalistas, em Lisboa.
O líder social-democrata destacou que, tal como Magalhães Mota e Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão “patrocinou e fomentou o ato de constituição do PPD, atual PSD, estruturando a sua matriz ideológica e afirmando os seus princípios programáticos e valores, que ainda hoje nos inspiram e alimentam”.
Montenegro lembrou que esses mesmos valores “inspiraram recentemente as candidaturas autárquicas”, referindo-se ao “poder público em representação do povo” como um dos pilares fundadores da social-democracia.
“Fomos sempre muito inspirados nesse ato fundador e é, de facto, uma notícia muito triste — de alguém que foi sempre muito próximo e presente, até ao fim. Sempre com uma palavra amiga, de estímulo, apreciação e análise. Em todas as campanhas eleitorais, em todos os momentos de reflexão, nunca escondeu os seus pontos de vista e muitas vezes nos espicaçava para aprofundarmos a social-democracia à luz da realidade do país, da Europa e do mundo”, afirmou.
O primeiro-ministro sublinhou ainda que Pinto Balsemão “foi também um fundador da democracia”, recordando o seu contributo enquanto chefe de Governo:
“Não apenas pela liderança do PSD, mas também pela liderança do Governo, ajudou a transformar a vida do país.”
LUTO NACIONAL
Luís Montenegro adiantou que deverá ser decretado luto nacional no dia das cerimónias fúnebres, cuja data ainda não foi tornada pública. Questionado sobre eventuais alterações à sua agenda, afirmou que “ainda não se tinha reorganizado”, acrescentando que, embora se conhecesse o estado de saúde de Pinto Balsemão, “o acontecimento não estava naturalmente nas previsões nem nas expetativas”.
“Foi sempre um lutador e conseguiu já debelar muitos momentos de fragilidade. Desta vez, encontrou-se com esta partida e nós estamos com a família dele e com o seu percurso”, concluiu o líder do PSD.
Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, aos 88 anos.



