O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, desafia o primeiro-ministro a demitir a ministra da Saúde, considerando que Ana Paula Martins está sem autoridade política.
Esta quarta-feira, numa declaração na sede do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro considerou de uma “gravidade inaudita” a notícia do jornal Público segundo a qual a Direção Executiva do SNS deu indicações aos hospitais para cortarem na despesa, mesmo que isso implique abrandar consultas e cirurgias.
“Compete ao primeiro-ministro transmitir, com gentileza, à ministra da Saúde que ela está sem autoridade política”, disse, acrescentando que cabe também a Luís Montenegro dizer a Ana Paula Martins “que ela já deixou de o ser”.
Na perspetiva do líder socialista, “quem tem condições para realizar com essa gentileza política, esse diálogo com a senhora ministra é mesmo o primeiro e último responsável do Governo”, sendo “o primeiro e o último responsável do Governo o primeiro-ministro”.
“É no primeiro-ministro que está toda e a mais importante responsabilidade política e só ele pode responder aos portugueses”, enfatizou.
Carneiro ressalvou que não tem “por princípio” pedir a demissão dos elementos que fazem parte da equipa escolhida pelo primeiro-ministro porque é a Luís Montenegro “que compete avaliar e decidir se devem ou não devem continuar” esses membros no Governo.
Segundo a notícia do Público, a ordem é para reduzir os gastos com medicamentos, produção adicional (como as cirurgias fora do horário para aliviar as listas de espera), prestadores de serviço e contratações de pessoal, o que num contexto de procura crescente do SNS está a gerar preocupação e críticas.
A Ordem dos Médicos classificou de “profundamente lamentável e miserável”, alertando que a medida pode prejudicar doentes e agravar listas de espera.
“Aquela que deveria ser a pessoa que defende o Serviço Nacional de Saúde acaba por se prestar a este papel lamentável, de estar disposto a hipotecar a resposta do SNS, a resposta assistencial, por causa de cortes orçamentais e de cortes orçamentais cegos que terão de ser feitos em 2026”, disse à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos.
“Se a indicação logo à partida é prejudicar os cuidados de saúde, então estamos logo à partida com um princípio profundamente errado, sobretudo de quem vem, que devia ser o primeiro a defender o acesso dos doentes ao Serviço Nacional de Saúde, e não a pôr como uma das hipóteses o sacrificar esses mesmos doentes”, vincou.



