Um estudante do Instituto Politécnico de Tomar foi afastado das atividades de praxe e está a ser alvo de um processo interno após ter conduzido uma sessão considerada abusiva com alunos recém-chegados do curso de Contabilidade. O episódio ocorreu na tarde de 23 de outubro, numa zona pouco movimentada do campus, e foi captado em vídeo. As imagens tornaram-se públicas através do jornal online Tomar na Rede.
No registo é possível ver cerca de dez caloiros deitados no chão, com a cabeça apoiada em pedras e as mãos atrás das costas, enquanto o estudante responsável pela praxe grita ordens e insultos. Em determinado momento, atira água sobre o grupo e lança um balde e uma garrafa para o solo, muito próximo dos jovens. Quando percebe que está a ser filmado, pede para que a gravação seja interrompida.
A situação gerou uma onda de críticas entre alunos, ex-alunos e moradores da cidade, que questionam o propósito e os limites das praxes académicas. Para muitos, as imagens revelam um ambiente de humilhação que contraria o objetivo de acolher os novos estudantes.
Face às reações, o Magnum Consillium Veteranorum, órgão que supervisiona as tradições académicas no IPT, divulgou uma nota onde afirma que a sessão tinha um caráter simbólico e que o uso de água seria uma espécie de “batismo”. O grupo refere ainda ter falado com os caloiros presentes e garante que todos expressaram vontade de continuar nas atividades.
Apesar disso, o mesmo organismo sublinha que a proteção da integridade dos estudantes é prioridade. Depois de ouvir o aluno que conduziu a praxe, decidiu suspender temporariamente a sua participação, enquanto decorre uma avaliação mais detalhada da sua conduta. O desfecho poderá passar pela reintegração ou, em alternativa, pela exclusão definitiva das práticas de praxe.
O Instituto Politécnico de Tomar não avançou, para já, com novas informações ou eventuais medidas adicionais, indicando apenas que o processo disciplinar está em curso.



