É o primeiro livro sobre a economia da classe rainha do motociclismo, que envolve mais de mil milhões de euros anuais e de 400 milhões de fãs. “The economics of MotoGP – costs, financing and the competitive balance of a raising motorsport” tem a coordenação de Paulo Reis Mourão, da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho, em parceria com Anthony Macedo, da Universidade Lusófona, e Carmen Sánchez‐Carreira, da Universidade de Santiago de Compostela.
A obra editada pela inglesa Palgrave aprofunda os custos das corridas e equipas, o papel de patrocinadores, média e adeptos, os desafios da competitividade e da pegada ambiental e ainda como a sociedade beneficia desta indústria.
O principal campeonato de motociclismo, que de 1949 a 2001 era conhecido por 500cc, tem hoje motos até 1000cc que atingem 360 km/h e provas em 18 países. As equipas principais superam os 100 a 150 milhões de euros de orçamento por época, valor similar ao salário de pilotos-ícone como Valentino Rossi ou Marc Márquez, frisa Paulo Reis Mourão. Mas há equipas só com um quinto dessa verba.
E se a Fórmula 1 atribui prize money nas provas, os ganhos aqui vêm mais dos direitos televisivos, de merchandising e publicitários, com marcas como Michelin, Repsol, Tissot e Monster.
A Liberty Media, promotora do MotoGP e da Fórmula 1, tem um modelo de negócio focado em competitividade, entretenimento e novas geografias – e os fãs têm aumentado após a pandemia, ao contrário de outros desportos. “O objetivo é criar-se uma apetência contínua global e conteúdos dedicados como séries, e-sports, plataformas digitais e eventos VIP”, situa Paulo Reis Mourão, que em 2017 escreveu também o primeiro livro no mundo sobre a economia da Fórmula 1.
“LÓBI FORTE” PARA A F1
Portugal recebeu o MotoGP por 18 vezes, nos autódromos do Estoril (2000-12) e de Portimão (2020-), o qual volta a ter a elite das duas rodas este fim de semana e em novembro de 2026. Os custos globais da prova rondam 60 a 70 milhões de euros, calcula o investigador da UMinho. Já o Turismo do Algarve estima que gera um impacto financeiro de até 87 milhões de euros e reputação a prazo.
“Portugal está firme no grupo restrito do MotoGP, pelo histórico recente, por haver outras provas mediterrânicas, pela garantia de público, pelos apoios obtidos e porque equipas e adeptos apreciam as condições da pista, o clima e a segurança – isto traz reconhecimento, investidores e é imprescindível para acolhermos mais competições internacionais, como o eventual regresso da Fórmula 1, que exige um lóbi muito forte junto da Liberty”, diz Paulo Reis Mourão.
O docente crê que a saída de Miguel Oliveira, único português a vencer corridas (quatro) do MotoGP, para as Superbikes no fim da época vai reduzir o público nacional na modalidade, mas não belisca a imagem do país.
Neste livro de 11 capítulos e 265 páginas mostra-se ainda como motores, recursos e perfis dos pilotos influenciam os resultados nas corridas, através de vários indicadores ao longo das temporadas.
Fala-se igualmente das lendas, dos que ficaram à porta do título e dos que se reinventaram, inclusive marcas como a Ducati, que soube esperar para inovar e voltar ao topo. Além disso, discute-se as externalidades deste desporto, nomeadamente avanços tecnológicos, segurança rodoviária e impactos ambientais, perspetivando um futuro sustentável.
Por exemplo, o MotoE (campeonato mundial de motos elétricas) nasceu em 2019 e é disputado nos circuitos do MotoGP, servindo de laboratório para soluções inovadoras de mobilidade.




