O número de utentes sem médico de família voltou a crescer em Portugal, ultrapassando agora 1,5 milhões de pessoas. A região de Lisboa e Vale do Tejo é uma das mais afetadas, com milhares de cidadãos à espera de médico atribuído há meses, ou até há anos.
O caso de António, residente no Catujal, em Loures, é um exemplo extremo: está há mais de 15 anos sem médico de família. Recentemente operado ao coração, o utente não sabe quem fará o seu acompanhamento clínico. “É uma vergonha isto para mim e para o nosso país. Às vezes vão ao particular, se tiverem hipótese, se não tiverem, não há médico”, desabafou à SIC.
Centros novos, problemas antigos
O Centro de Saúde do Catujal, inaugurado em janeiro pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, deveria aliviar a pressão sobre a população local. Contudo, a unidade soma já mais de 16 mil pessoas sem médico de família, refletindo um problema que se repete por todo o país.
Apesar da abertura de novos centros e da contratação de médicos, a falta de profissionais continua a agravar-se, especialmente nas grandes áreas urbanas e nas zonas do interior, onde a fixação de clínicos é mais difícil.
Governo promete inverter a tendência
O Governo incluiu no Orçamento do Estado para 2026 uma meta ambiciosa: aumentar em 5% a cobertura de médicos de família, garantindo médico a mais 450 mil utentes até ao próximo ano.
No entanto, sindicatos e associações de profissionais de saúde alertam que a medida só terá impacto real se for acompanhada de melhorias nas condições de trabalho, progressão de carreira e incentivos à fixação de médicos em zonas carenciadas.
Atualmente, estima-se que um em cada sete portugueses esteja sem acompanhamento regular no Serviço Nacional de Saúde (SNS) — uma situação que afeta sobretudo idosos, doentes crónicos e famílias com crianças pequenas.



