Milhares de manifestantes marcharam, este sábado, na Cidade do México para protestar contra a criminalidade violenta e contra o Governo da presidente Claudia Sheinbaum, que acusam de passividade face à violência dos cartéis de droga que afeta o país. A maioria dos feridos são agentes da polícia.
Pelo menos 120 pessoas, a maioria agentes da polícia, ficaram feridas em confrontos durante protestos contra o governo do México.
“Durante muitas horas, esta mobilização decorreu pacificamente, até que um grupo de indivíduos encapuzados começou a cometer atos de violência”, afirmou Pablo Vázquez, chefe da segurança da capital mexicana, citado por vários meios de comunicação internacionais.
Segundo o chefe de segurança, cem agentes da polícia ficaram feridos. Destes, 40 tiveram de ser hospitalizados. Vinte manifestantes também sofreram ferimentos.
AUMENTO DE PREÇOS
O protesto foi organizado por jovens do movimento ‘Geração Z México’ e acabou por atrair também cidadãos comuns e membros de partidos políticos da oposição, que se juntaram para manifestar o seu descontentamento em relação a crimes como o homicídio, há poucas semanas, de um presidente de Câmara que defendia medidas duras contra os cartéis de droga.
Também protestaram contra a subida dos preços dos alimentos e contra o aumento dos impostos sobre bebidas açucaradas e videojogos.
Os manifestantes percorreram zonas centrais da cidade e concentraram-se na Praça da Constituição, em frente ao Palácio Nacional, sede do governo. Foram derrubadas grades que rodeavam o edifício. A polícia usou gás lacrimogéneo contra a multidão.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, continua a ter elevados índices de popularidade. Mantém taxas de aprovação acima dos 70% no seu primeiro ano de mandato, segundo uma sondagem publicada em agosto pelo jornal mexicano ‘El Universal’, apesar de uma recente onda de homicídios, entre os quais o de Carlos Manzo, presidente da Câmara de Uruapan, no estado ocidental de Michoacán.
O autarca foi baleado no dia 1 de novembro. Era conhecido por falar abertamente sobre os gangues na sua cidade e a violência dos cartéis, e vinha exigindo medidas mais robustas contra os membros armados destes grupos.
GUERRA CONTRA DROGAS
Claudia Sheinbaum tem atuado contra os cartéis, mas opõe-se a uma nova guerra total contra as drogas, e, por isso, tem sido alvo de fortes críticas. Tentativas anteriores dos seus antecessores resultaram em elevado número de mortes, lembra a BBC Brasil.
Nos dias que antecederam o protesto, a presidente acusou os partidos de direita de tentarem infiltrar-se no movimento da Geração Z e de usarem ‘bots’ para tentar aumentar a participação.
“Concordamos com a liberdade de expressão e a liberdade de manifestação se houver jovens com reivindicações, mas a questão aqui é quem está a promover a manifestação”, disse numa conferência de imprensa, citada pela Associated Press. “As pessoas devem saber como esta manifestação foi organizada para que ninguém seja manipulado.”
Este ano, em vários países, pessoas nascidas entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2010 organizaram protestos contra a desigualdade, o retrocesso democrático e a corrupção.
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