Os líderes do G20, reunidos numa cimeira em Joanesburgo, apelaram a uma paz “justa” e “duradoura” na Ucrânia, assim como no Sudão, na República Democrática do Congo e nos “territórios palestinianos ocupados”, numa declaração conjunta tornada este sábado publica. À margem, os líderes da UE vão reunir-se na segunda-feira durante a cimeira UE-África, em Luanda, para discutir uma proposta de paz elaborada pelos EUA para a Ucrânia, disse o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no sábado.
“A proposta norte-americana de 28 pontos inclui elementos importantes que serão essenciais para uma paz justa e duradoura”, disse Costa numa publicação nas redes sociais.
“Estamos prontos para nos envolvermos de forma a garantir que uma paz futura é sustentável. Convidei todos os 27 líderes da UE para uma reunião especial sobre a Ucrânia à margem da Cimeira UE-UA em Luanda, na segunda-feira.”
CIMEIRA DO G-20 NA ÁFRICA DO SUL
“Guiados pelos propósitos e princípios da Carta da ONU na sua totalidade, trabalharemos por uma paz justa, abrangente e duradoura no Sudão, na República Democrática do Congo, nos territórios palestinianos ocupados e na Ucrânia, assim como para colocar fim a outros conflitos e guerras em todo o mundo”, disseram no documento.
Os líderes europeus dizem que o plano de paz dos Estados Unidos para a Ucrânia precisa de ser revisto e requer trabalho adicional. Afirmam também que as fronteiras não devem ser alteradas.
O plano de paz dos Estados Unidos para os ucranianos interrompeu a agenda da cimeira e os líderes europeus começaram a realizar inúmeras consultas para formular uma contraproposta.
Os líderes do G20 prometeram ainda proteger melhor o fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para a transição energética, das perturbações geopolíticas e comerciais, segundo a declaração publicada pelo Governo sul-africano.
“Procuramos garantir que a cadeia de valor dos minerais estratégicos possa resistir melhor a interrupções, sejam elas decorrentes de tensões geopolíticas, medidas comerciais unilaterais inconsistentes com as regras da OMC [Organização Mundial do Comércio], pandemias ou desastres naturais”, referiram no documento.
Muitos países estão a redobrar os seus esforços para garantir o acesso a estes minerais, que são também muito utilizados na eletrónica e são abundantes no continente africano, depois de a dependência destes recursos ter sido evidenciada pelas restrições impostas pela China às suas exportações de elementos de terras raras.
A cimeira do G20 – que reúne os países desenvolvidos e emergentes – realiza-se entre hoje e domingo na cidade de Joanesburgo, na África do Sul, que é presidente rotativo do grupo.
Fundado em 1999, o G20 é composto por 19 países – Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos — além de duas organizações regionais: a União Europeia (UE) e a União Africana (UA).



