A Polícia Judiciária está a desenvolver uma grande operação que levou, na manhã desta terça-feira, à detenção de mais de uma dezena de militares da GNR e de vários civis suspeitos de integrar uma rede criminosa dedicada à exploração de migrantes oriundos do subcontinente indiano em propriedades agrícolas do distrito de Beja.
As buscas decorreram em habitações, postos de trabalho e terrenos agrícolas onde as vítimas estariam a ser sujeitas a trabalho forçado num ambiente descrito pelas autoridades como de “terror”.
Segundo a CNN Portugal, que avançou os primeiros detalhes da investigação, a ação é conduzida pela Unidade de Contraterrorismo da PJ e envolve perto de duas centenas de inspetores.
O epicentro da operação localiza-se na freguesia de Cabeça Gorda, onde os migrantes eram obrigados a trabalhar de sol a sol sob vigilância direta de militares da GNR envolvidos no esquema, que acumulavam funções como capatazes da estrutura criminosa.
No total contam-se cerca de 20 detidos, sendo que 10 dos quais serão os tais militares da GNR já referidos.
Os detidos estão indiciados por crimes de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal, associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
De acordo com a investigação, os elevados lucros gerados pelo trabalho escravo eram ocultados através de esquemas financeiros não declarados, mantendo as vítimas sob coação permanente, com ameaças de deportação para os seus países de origem caso se recusassem a obedecer.
As condições de vida descritas pelas autoridades apontam para situações de extrema precariedade, com migrantes indocumentados a viver em espaços sobrelotados, com rendimentos mínimos e sob vigilância policial constante.
As vítimas, segundo a investigação, eram impedidas de abandonar as propriedades e mantidas num regime de submissão que permitia à rede maximizar os ganhos à custa do trabalho forçado nos campos agrícolas.
No total, cerca de duas dezenas de suspeitos, entre militares e civis, serão presentes ao Ministério Público nas próximas horas, e enfrentam mesmo a possibilidade de ficarem em prisão preventiva.
A investigação prossegue para apurar a total dimensão da rede e o número exato de vítimas exploradas.



