O comandante dos Bombeiros Voluntários do Fundão, José Sousa, demitiu-se, esta sexta-feira, na sequência da detenção de 11 elementos da corporação por violação e abuso sexual de outro bombeiro.
Numa missiva a que a agência Lusa teve acesso, José Sousa dirigiu-se ao quadro ativo dos bombeiros do Fundão e explicou a decisão tomada.
“Depois de tudo o que aconteceu (…) apresentei a minha demissão do cargo de comandante. Esta decisão foi tomada com sentido de responsabilidade e, acima de tudo, com respeito pelos superiores interesses da instituição e por todos vós, que nada fizeram para merecer carregar este peso nos ombros” vincou José Sousa.
Na mensagem, o comandante demissionário pediu ainda à corporação para que “permaneça unida e que apoie o comando que continuará”.
“Acompanhem a direção [da Associação Humanitária] neste período difícil. E, sobretudo, mantenham viva a essência do que somos: bombeiros, irmãos e mulheres e homens de palavra, honra e missão”, lê-se na missiva.
José Sousa sublinhou ainda que nunca abandonou os seus camaradas, nem “jamais lhes virará as costas”.
“Sei que este momento vos causa inquietação, tristeza e revolta, a mim também. Mas sei, ainda melhor, que o quadro ativo saberá estar à altura, como sempre esteve”. “Deixo o cargo. Mas, nunca deixarei esta família”, frisou.
Segundo a PJ, “foi vítima um outro bombeiro, com 19 anos, o qual foi sujeito a atos sexuais violentos, numa duvidosa praxe, pois seriam os seus dois primeiros serviços”. “A investigação teve o seu início numa queixa efetuada pela própria vítima, suportada e apoiada pelo comando da referida corporação que, em todo o momento, colaborou com esta polícia”, referia a nota divulgada pela força policial.
Internamente, a corporação instaurou um processo disciplinar a oito deles.



