- Apontamentos de Bruno Rodrigues, bancário e membro do Conselho de Administração da Associação Empresarial do Vale do Homem (AEVH)
O mercado dita as regras, mas nós também!
Vivemos num país liberal, em que, felizmente, podemos decidir quem nos acompanha.
Somos livres para divorciar, casar com o género que entendemos, assim como optar pelo género que nos identifica.
Para as empresas/empresários, já não é bem assim.
A discussão em volta das alterações ao código do Trabalho tem assumido grande protagonismo nas últimas semanas.
Um plano de alteração ainda não finalizado provocou uma greve e o agendamento de outras.
Os sindicatos anteciparam todos os cenários para relembrar a sua existência.
Numa opinião crítica ao cenário em torno deste assunto e com o espírito liberal que me carateriza, temos de assumir que para termos níveis de desempenho a nivelar pelos melhores países da Europa, não podemos manter os mesmos pressupostos de luta do século passado.
Nos moldes económicos atuais o mercado absorve e gera oportunidades constantes. Isto é, não é o trabalhador agarrado à empresa, mas sim a empresa a ter de agarrar o funcionário.
Somos portugueses, bons trabalhadores, temos de nos valorizar. Ao manter princípios que apenas pretendem colar a empresa e o empregado, estamos a assumir que a mão de obra disponível não é capaz de identificar novas oportunidades de emprego.
Mantemos e queremos ser o modelo do trabalho intensivo e de baixos salários. Temos imensos exemplos em diversos setores que se valorizaram e ditam agora as suas leis.
A greve é um direito, a luta é legítima, mas sou da opinião de que, sendo um trabalhador competente, capaz e que acrescente valor à sua organização não terá de recear qualquer alteração legislativa porque a empresa verá no trabalhador um forte aliado e não um fardo.
Mudar e rever o foco em função do mercado, precisa-se.



