O ministro da Educação, Ciência e Inovação afirmou que as suas declarações sobre a degradação das residências universitárias foram “descontextualizadas” e negou ter responsabilizado os estudantes de baixos rendimentos por essa situação. Perante os pedidos de esclarecimento de vários partidos, Fernando Alexandre recusou retratar-se, sublinhando que é “totalmente falso” que tenha dito que alunos com menos recursos degradam os serviços públicos.
Em declarações à Antena 1, o governante explicou que a sua intervenção ocorreu no contexto de uma conversa com um antigo estudante bolseiro, referindo que estava a abordar a forma como serviços públicos frequentados apenas por pessoas com baixos rendimentos e sem capacidade de reivindicação acabam, muitas vezes, por não ser devidamente cuidados pelos seus gestores. “É totalmente falso que eu tenha dito que estudantes com rendimentos mais baixos degradam os serviços públicos”, reiterou.
As declarações do ministro, proferidas durante uma cerimónia em Lisboa de apresentação do modelo de ação social do Ensino Superior para o próximo ano, geraram forte reação política. Pouco depois do discurso, o Partido Socialista exigiu uma retificação.
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, considerou que o ministro cometeu “um erro grave, discriminatório e preconceituoso” e afirmou que, caso não reconheça esse erro, “deixou de ter condições para continuar no cargo”. Nas redes sociais, Pedro Nuno Santos foi mais longe e pediu a demissão de Fernando Alexandre.
No mesmo evento, o ministro revelou ainda ter solicitado ao Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES) um estudo sobre as residências universitárias, acabando por afirmar que serviços públicos utilizados exclusivamente por pessoas de rendimentos mais baixos tendem a deteriorar-se, uma ideia que comparou a outras áreas como a saúde e a educação.
Apesar da polémica, a sessão ficou também marcada por um anúncio relevante no âmbito da ação social: os estudantes mais pobres que ingressem no ensino superior passarão a receber, além da bolsa de estudo, um apoio adicional de 1.045 euros anuais ao longo de todo o curso.
Esta medida destina-se a alunos provenientes de famílias abrangidas pelo escalão A do abono de família, reforçando o apoio aos estudantes de menores rendimentos.



