O Governo português manifestou, esta sexta-feira, “grande tristeza e consternação” pelo facto de o principal suspeito dos ataques que vitimaram o físico Nuno Loureiro e outras duas pessoas, na Universidade Brown, nos Estados Unidos, ser um cidadão português.
Em declarações à agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que a confirmação da nacionalidade do suspeito causou profundo pesar. “É com grande consternação que sabemos que o principal suspeito, entretanto encontrado morto, é um cidadão português. Isso é algo que nos causa uma enorme tristeza”, sublinhou.
O chefe da diplomacia portuguesa disse ainda “lamentar profundamente” as mortes provocadas nos dois ataques, acrescentando que é particularmente doloroso haver “um cidadão português envolvido em crimes desta natureza, altamente reprováveis e verdadeiramente terríveis para as vítimas e para as suas famílias”.
Paulo Rangel revelou que as autoridades norte-americanas têm mantido contacto permanente com Portugal e destacou a “grande cooperação” prestada pelas entidades portuguesas, ressalvando, no entanto, que “as investigações ainda estão longe de estar concluídas”.
Governo respeita decisão da administração norte-americana
Na sequência do caso, a administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu suspender o programa de vistos conhecido como ‘green card’, que terá permitido a entrada do suspeito no país. Uma decisão que o ministro português disse respeitar.
“As reações da administração norte-americana são tomadas no exercício da sua soberania e visam responder a situações que, legitimamente, causam grande preocupação”, afirmou Paulo Rangel.
O programa de vistos por sorteio atribui anualmente até 50 mil autorizações de residência permanente a cidadãos de países com menor representação nos Estados Unidos. Em 2025, cerca de 20 milhões de pessoas candidataram-se ao sorteio, tendo sido selecionadas mais de 131 mil, incluindo familiares. No caso de Portugal, foram atribuídas apenas 38 vagas no ano passado.
Suspeito terá agido sozinho
O suspeito, Cláudio Neves Valente, antigo aluno da Universidade Brown, foi encontrado morto na noite de quinta-feira, com um ferimento de bala autoinfligido, confirmou o chefe da polícia de Providence, Oscar Perez. De acordo com as autoridades, tudo indica que terá agido sozinho.
A investigação aponta Valente como responsável pelo ataque ocorrido no sábado na Universidade Brown, que provocou duas mortes e nove feridos, bem como pelo homicídio do professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Nuno Loureiro, morto a tiro em casa, em Brookline, na passada segunda-feira, segundo a procuradora federal de Massachusetts, Leah B. Foley.
As autoridades acreditam que Valente e Loureiro se conheciam, uma vez que frequentaram o mesmo programa académico numa universidade portuguesa entre 1995 e 2000. Nuno Loureiro, natural de Viseu, formou-se e desenvolveu investigação no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Cláudio Neves Valente obteve o estatuto de residente permanente legal nos Estados Unidos em 2017.



