O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou este sábado que os EUA irão “governar a Venezuela” até que seja possível assegurar uma “transição segura, adequada e criteriosa”, na sequência da captura de Nicolás Maduro numa operação militar norte-americana realizada no centro de Caracas.
Em conferência de imprensa, Trump confirmou que a detenção de Maduro foi levada a cabo com “poder militar esmagador por ar, terra e mar”, descrevendo a ofensiva como “um ataque como ninguém tinha visto desde a Segunda Guerra Mundial”. O presidente comparou a operação a outras ações realizadas sob a sua liderança, como a eliminação de Qassem Soleimani, de Abu Bakr al-Baghdadi e o bombardeamento de instalações nucleares no Irão.
“Vamos governar o país”, declarou Trump, afastando qualquer hipótese de continuidade do chavismo no poder. Segundo o chefe de Estado norte-americano, os Estados Unidos irão liderar o processo político na Venezuela até que estejam reunidas as condições para uma transição considerada segura e estável, sem indicar um prazo para o fim dessa intervenção.
“Não podemos arriscar que alguém tome conta da Venezuela sem ter em conta o bem do povo venezuelano, depois de tudo o que viveram. Não vamos deixar que isso aconteça. Estamos aqui agora e vamos ficar até que uma transição ajustada ocorra”, afirmou.
Trump abordou também o futuro económico do país, garantindo que empresas norte-americanas irão participar na reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana, com o objetivo de relançar a economia. O presidente descreveu este cenário como uma “parceria” entre os Estados Unidos e a Venezuela, que, segundo disse, tornará os venezuelanos “ricos, independentes e seguros”.
Durante a conferência, Trump revelou ainda que a energia elétrica em Caracas terá sido cortada durante a operação, sem especificar os meios utilizados. “Eles sabiam que estávamos a caminho”, afirmou, acrescentando que as forças armadas venezuelanas foram rapidamente neutralizadas.
“Sob a nossa nova estratégia de segurança, a dominância da América no Hemisfério Ocidental nunca será mais questionada outra vez”, afirmou Donald Trump, no discurso em Mar-a-Lago, Florida.
CARTÉIS DE DROGA
O presidente dos EUA começou por falar sobre os cartéis, alegando que o Tren de Aragua e o Cartel dos Soles (cuja existência não é confirmada) têm aterrorizado os EUA. Trump defendeu, em seguida, as intervenções federais que realizou em diversões bastiões democratas ao longo do último ano.
Apesar de colocar a questão do narcotráfico como o principal motivo para derrubar Nicolás Maduro, a Venezuela não é o principal caminho para as drogas chegaram aos Estados Unidos. No caso da cocaína, por exemplo, a coca é plantada principalmente na Colômbia, Peru e Bolívia e enviada por ar, água e terra para o México, a América Central e as Caraíbas, antes de entrar nos EUA, segundo a própria agência antidroga norte-americana (DEA).
Trump não descartou enviar militares para a Venezuela. “Não temos receio de enviar tropas para o terreno, se for necessário”, afirmou, durante a conferência de Imprensa em Mar-a-Lago, na Florida.
O presidente dos EUA disse ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, vai negociar com a vice-presidene venezuelana, Delcy Rodríguez.
SEIS MORTOS, DOIS FERIDOS E QUATRO DESAPARECIDOS
De acordo com as autoridades venezuelanas, a ofensiva provocou pelo menos seis mortos, dois feridos e quatro desaparecidos. Por volta das 2h00 locais (6h00 em Lisboa), foram registadas explosões e sobrevoos a baixa altitude na capital. Além de Caracas, foram atingidos os estados de Miranda, La Guaira e Aragua.
O Governo venezuelano denunciou a ação como uma “agressão militar” e declarou o país em “estado de perturbação externa”, enquanto a situação continua a gerar forte tensão e reações a nível internacional.
OPERAÇÃO MILITAR
As aeronaves norte-americanas desativaram sistemas de defesa aérea da Venezuela para possibilitar a passagem de helicópteros em Caracas. “Uma das nossas aeronaves foi atingida, mas manteve-se em condições de voo”, informou o chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine.
O chefe do Pentágono elogiou a operação. “Bem-vindos a 2026. Sob a Presidência de Trump, a América está de volta”, afirmou Pete Hegseth.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine, disse que a operação, com o nome “Resolução Absoluta”, foi pedida pelo Departamento de Justiça norte-americano. Envolveu mais 150 aeronaves, que partiram de diversas partes do hemisfério Ocidental, e foi possível, segundo o general, devido a décadas de missões antiterroristas.
A operação durou cerca de duas horas e 20 minutos.



