O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a sua mulher, Cilia Flores, foram transferidos esta segunda-feira para o tribunal federal de Manhattan, em Nova Iorque. O casal será ouvido pela primeira vez por um juiz norte-americano desde a sua captura oficial, ocorrida durante a madrugada de sábado, em Caracas.
A audiência está marcada para as 12h00 locais (17h00 em Portugal Continental). Até à manhã de hoje, Maduro permaneceu sob custódia no Centro Metropolitano de Detenção de Brooklyn, uma unidade prisional de alta segurança conhecida por ter albergado figuras como Jeffrey Epstein e Sean “Diddy” Combs. A transferência para o tribunal envolveu uma operação logística complexa, com recurso a helicóptero e carrinhas blindadas, iniciada pelas 07h00 locais.
O Departamento de Justiça dos EUA acusa Maduro de liderar uma vasta rede de tráfico de cocaína e de estabelecer alianças com organizações criminosas internacionais. Na acusação constam ligações aos cartéis mexicanos Los Zetas e Sinaloa, aos rebeldes colombianos das FARC e ao gangue transnacional venezuelano Tren de Aragua.
Enquanto o processo judicial avança, a tensão política na região permanece elevada. A bordo do Air Force One, o presidente norte-americano Donald Trump foi perentório ao afirmar que os Estados Unidos não hesitarão em realizar uma “nova operação militar” na Venezuela caso o atual governo interino “não se comporte”. Trump reiterou que Washington supervisionará a governação do país até que seja alcançada uma “solução estável”.
Em Caracas, o cenário político mudou drasticamente com a nomeação de Delcy Rodríguez como presidente interina. Numa tentativa de apaziguar os ânimos e consolidar a sua posição, Rodríguez emitiu esta segunda-feira um comunicado focado na diplomacia.
“O presidente Donald Trump, os nossos povos e a nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, declarou a governante, oferecendo total colaboração aos EUA para uma agenda de desenvolvimento partilhado, sublinhando que a prioridade do seu executivo é a construção de relações de respeito mútuo dentro da legalidade internacional.



