O Ministério Público de Braga acusou dez pessoas de integrarem uma rede organizada de tráfico de droga que operava, pelo menos desde o início de 2024, nos concelhos de Braga e Barcelos. O processo, que segue agora para julgamento, envolve seis arguidos em prisão preventiva e aponta uma lavandaria na freguesia da Lage, em Vila Verde, como fachada e ponto estratégico do esquema criminoso.
De acordo com a acusação, o principal arguido, Rafael C., é identificado como o líder da rede, assumindo funções de coordenação, abastecimento e distribuição dos estupefacientes. A investigação sustenta que a sua residência, situada na Travessa de Espinde, nos arredores de Braga, funcionava como centro operacional, sendo alvo de constantes deslocações de compradores a diferentes horas do dia e da noite. As permanências eram breves e, segundo o MP, os clientes saíam com a droga escondida na roupa.
A habitação encontrava-se equipada com câmaras de videovigilância na fachada e na lateral, permitindo ao arguido controlar os movimentos no exterior. Rafael C. seria responsável por garantir o fornecimento regular de droga, em quantidades nunca inferiores a dois quilos, distribuindo depois os produtos pelos restantes colaboradores para assegurar a continuidade das vendas.
‘LAVANDARIA DA CIDADE’
Parte significativa dos abastecimentos terá ocorrido na “Lavandaria da Cidade”, estabelecimento comercial situado na freguesia da Lage, em Vila Verde, do qual o arguido é sócio. Segundo o MP, o espaço era utilizado como local discreto para encontros e entregas, funcionando como fachada para a atividade ilícita.
A acusação descreve vários episódios de abastecimento ao longo de 2025, entre janeiro e maio, com a comercialização de haxixe, cannabis, cocaína e MDMA. Os valores das transações variavam entre os 240 e os 400 euros, consoante o tipo de droga.
As entregas aos consumidores eram feitas em locais previamente combinados, incluindo zonas residenciais, parques de estacionamento, estabelecimentos comerciais e outros pontos das cidades de Braga e Barcelos. Para o transporte e distribuição, a rede recorria a várias viaturas, algumas registadas em nome do alegado líder e outras pertencentes a colaboradores.
Segundo o Ministério Público, cada elemento da rede tinha funções bem definidas, que iam desde o transporte e guarda da droga até ao corte, pesagem, embalamento e venda direta ao consumidor. Algumas habitações em Barcelos funcionariam como “casas de recuo”, onde os estupefacientes eram armazenados antes de serem distribuídos.
A comunicação entre os arguidos era feita maioritariamente através da plataforma encriptada TeleGuard, escolhida por razões de segurança e anonimato, sendo utilizados códigos próprios para identificação nas conversas.
O MP recorda ainda que Rafael C. já tinha antecedentes por tráfico de estupefacientes, encontrando-se a cumprir pena de prisão em regime de permanência na habitação, com vigilância eletrónica e autorização para trabalhar.
O processo segue agora para julgamento no âmbito do DIAP de Famalicão, onde será apurada a responsabilidade criminal dos arguidos. Seis permanecem em prisão preventiva a aguardar a decisão judicial.



