Cerca de duas mil pessoas terão morrido nos protestos que têm abalado o Irão nos últimos dias, segundo números avançados por um responsável do regime de Teerão, citado pela agência Reuters. De acordo com a mesma fonte, as mortes — que incluem manifestantes e elementos das forças de segurança — são atribuídas a ações de “terroristas”.
A escalada de violência ocorre num contexto de forte repressão por parte das autoridades iranianas, que têm classificado os manifestantes como revoltosos, “mohareb” (inimigos de Deus), terroristas e agitadores, associando-os a Israel e aos Estados Unidos. Estas acusações, à luz da legislação iraniana, podem ser punidas com a pena de morte.
As autoridades da República Islâmica prometeram tratar os casos de forma “severa” e “rápida”, recorrendo a secções especiais dos Tribunais Revolucionários, o que tem gerado preocupação internacional quanto ao respeito pelos direitos humanos e pelas garantias processuais.
Entretanto, o antigo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta terça-feira, numa publicação na rede social Truth Social, que “a ajuda está a caminho” para o povo iraniano, apelando à continuação das manifestações nas ruas. “Tomem conta das vossas instituições. Guardem os nomes dos assassinos e dos abusadores. Vão pagar um grande preço”, escreveu.
As declarações de Trump motivaram uma reação de Moscovo. A Rússia acusou os Estados Unidos de promoverem uma “intervenção externa subversiva” e classificou como “categoricamente inaceitável” qualquer ameaça de um ataque norte-americano em território iraniano. “Quem planeia usar instabilidade externa como pretexto para repetir uma agressão contra o Irão tem de estar ciente das consequências desastrosas de tais ações”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, também citado pela Reuters.
Em Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, revelou esta segunda-feira que dois cidadãos portugueses pediram apoio para sair do Irão. O governante garantiu, no entanto, que todos os portugueses no país estão identificados pelas autoridades nacionais e que, para já, não existem razões para preocupação acrescida.



