Presidente do Sindicato dos Médicos do Norte denuncia sobrecarga de equipas com até 40 doentes por médico, enquanto a ULS de Braga assegura que a pressão causada pela gripe está ultrapassada e que nenhum doente ficou sem resposta.
A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou esta terça-feira para a “exaustão” dos profissionais de saúde do Hospital de Braga, denunciando uma sobrecarga significativa das equipas clínicas, que na semana passada chegaram a ter cerca de 40 utentes a seu cargo. As declarações foram feitas à margem de um protesto realizado à porta daquela unidade hospitalar.
Segundo Joana Bordalo e Sá, médicos e profissionais de saúde em situação de cansaço extremo representam “um risco para si próprios e também um risco para os doentes”. A dirigente sindical sublinhou que, de acordo com as boas práticas clínicas, “cada equipa não devia ter mais de 10 doentes”.
A líder do SMN revelou ainda que, na semana passada, o Serviço de Medicina Interna do Hospital de Braga tinha cerca de 270 doentes internados, apesar de a capacidade instalada ser de apenas 120 camas. “Têm sido sempre à custa de horas extras, à custa da exaustão dos profissionais de saúde, com equipas que estão completamente esgotadas”, criticou.
Em resposta, o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, Américo Afonso, reconheceu uma afluência “anormal” ao hospital, associada ao aumento de casos de gripe, mas garantiu que a situação está “perfeitamente normalizada” desde segunda-feira. “O funcionamento da ULS de Braga sempre esteve sob controlo”, afirmou, assegurando que nenhum doente ficou sem resposta.
Américo Afonso disse ainda confiar “integralmente” na competência e prudência dos profissionais do Hospital de Braga para garantir as “melhores condições de segurança possíveis”.
A presidente do SMN acusou também a administração da ULS de não disponibilizar o plano sazonal de contingência. Contudo, o responsável da ULS garantiu que o documento “está acessível a todos os profissionais da instituição”, sublinhando que se trata de “um plano vivo”, atualizado e aplicado diariamente em função da avaliação contínua da realidade.
Durante o protesto, o sindicato pediu igualmente esclarecimentos sobre a suspensão, há pelo menos dois meses, do equipamento PET/CT, um exame de imagem avançada utilizado em diagnósticos complexos. Américo Afonso explicou que o equipamento se encontra avariado, estando o processo de reparação em fase final, e adiantou que está prevista a aquisição de um novo aparelho ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com concurso público a ser lançado ainda este mês.
Outra das preocupações levantadas por Joana Bordalo e Sá prende-se com o recurso a laboratórios privados para a realização de biópsias, alegadamente devido a bloqueios no pagamento aos médicos. A administração da ULS respondeu que tem vindo a trabalhar para reduzir a dependência de prestadores externos e inverter práticas do passado.
O sindicato questionou ainda a transferência, ao fim de semana, de doentes com aneurismas cerebrais rotos para hospitais do Porto. Sobre esta matéria, Américo Afonso deixou uma mensagem de tranquilidade, assegurando que o funcionamento em rede do Serviço Nacional de Saúde tem garantido uma resposta “adequada e atempada”, com continuidade de cuidados assegurada.
Segundo o presidente da ULS, a suspensão temporária dessa atividade em horário extraordinário resulta da indisponibilidade de médicos neurorradiologistas para assegurar períodos de prevenção nos termos exigidos, ao abrigo da legislação em vigor.
Para o Sindicato dos Médicos do Norte, a resolução dos problemas passa por medidas estruturais, nomeadamente o reforço efetivo das equipas e o pagamento atempado do trabalho médico. Joana Bordalo e Sá defendeu ainda a elevação do Hospital de Braga a hospital universitário e manifestou oposição a uma eventual parceria público-privada para a gestão da unidade.



