Apesar de mais de 4.800 médicos estrangeiros estarem inscritos na Ordem dos Médicos, apenas uma minoria exerce funções no Serviço Nacional de Saúde, alertando para a falta de atratividade do SNS e para o agravamento das necessidades futuras.
Em novembro de 2025, estavam a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) 969 médicos especialistas estrangeiros, aos quais se juntavam 333 médicos internos, segundo dados oficiais. Os números contrastam com o total de cerca de 4.800 médicos estrangeiros inscritos na Ordem dos Médicos, revelando que a grande maioria destes profissionais opta por exercer fora do sistema público.
O bastonário da Ordem dos Médicos tem reiterado que o SNS não é suficientemente atrativo para captar e reter médicos, nacionais ou estrangeiros, apontando como principais fatores os salários pouco competitivos, a sobrecarga de trabalho, a instabilidade contratual e as condições de exercício clínico. Para o responsável, a situação poderá agravar-se nos próximos anos, face ao envelhecimento da população médica e ao aumento da procura por cuidados de saúde.
Embora Portugal continue a atrair médicos formados no estrangeiro, muitos acabam por se dirigir para o setor privado ou para outros países europeus, onde encontram melhores condições remuneratórias e de progressão na carreira.
A discrepância entre o número de inscritos na Ordem e os que efetivamente trabalham no SNS evidencia, segundo a Ordem dos Médicos, um problema estrutural que não se resolve apenas com a captação de profissionais estrangeiros.
As necessidades do SNS deverão aumentar, impulsionadas pelo envelhecimento da população, pelo crescimento da procura de cuidados diferenciados e pela aposentação de um número significativo de médicos nos próximos anos.
Perante este cenário, a Ordem dos Médicos defende uma reforma profunda das condições de trabalho e da carreira médica, sublinhando que a sustentabilidade do SNS depende da sua capacidade de se tornar competitivo e atrativo no contexto nacional e internacional.
O tema deverá voltar ao centro do debate político e profissional, numa altura em que o sistema de saúde enfrenta desafios crescentes na resposta às necessidades da população.



