Mário Centeno está fora da corrida ao cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE). O governador do Banco de Portugal foi afastado após duas rondas de votação na reunião do Eurogrupo, realizada esta segunda-feira, por não ter reunido apoios suficientes entre os ministros das Finanças dos países da zona euro.
A sucessão de Luís de Guindos, que termina o mandato em maio, acabou por ser decidida na terceira ronda de votações, que exigia uma maioria qualificada — correspondente a 72% dos Estados-membros, ou 16 dos 21 países do euro. Nessa votação final, a escolha foi feita entre o croata Boris Vujčić e o finlandês Olli Rehn, tendo o primeiro reunido o consenso necessário.
Além de Mário Centeno, estiveram na corrida Mārtiņš Kazāks (Letónia), Madis Müller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Rimantas Šadžius (Lituânia) e Boris Vujčić (Croácia). O governador do Banco Nacional da Croácia acabaria por ser o nome escolhido para assumir a vice-presidência do BCE.
Antes do encontro do Eurogrupo, o ministro das Finanças português, Miranda Sarmento, já tinha admitido que seria “muito difícil” a eleição de Mário Centeno, considerando que outros representantes do sul da Europa já haviam ocupado o cargo. Entre os exemplos referidos está o do português Vítor Constâncio, que desempenhou funções como vice-presidente do BCE entre 2010 e 2018.
A escolha de Boris Vujčić reflete o equilíbrio geográfico e político habitualmente procurado nas nomeações para os cargos de topo das instituições europeias, num processo que combina critérios técnicos com negociações entre os Estados-membros da área do euro.



