António José Seguro escolheu a área da Saúde para assinalar o recomeço da sua campanha eleitoral para as Presidenciais. A visita a uma Unidade de Saúde Familiar em Odivelas, acompanhado pelo antigo ministro Adalberto Campos Fernandes, serviu de palco para reafirmar a prioridade que diz querer imprimir ao setor.
“Todos sabem que esta é prioridade das prioridades e vai ser a causa número um no meu primeiro ano de mandato”, afirmou o candidato, convicto da vitória nas urnas. “Vou trabalhar insistentemente para que haja Saúde a tempo e horas para todos os portugueses”, acrescentou, elogiando a organização e a gestão da unidade que visitou.
Seguro garantiu estar já a recolher contributos para o que será o diálogo institucional após as eleições. “Há boas ideias, há boas medidas, e, honestamente, já estou a recolher esses contributos para quando reunir com os partidos e com o Primeiro-Ministro. Estou ansioso por essa primeira reunião e por definirmos as nossas regras de trabalho”, adiantou.
Questionado sobre a futura relação com o Executivo, o ex-secretário-geral do PS afastou qualquer ideia de confronto. “Vou ser exigente, mas não vou exercer pressão sobre o Governo. Pretendo uma relação normal, de cooperação, com os parceiros sociais e representantes dos trabalhadores”, disse, reforçando que manterá “uma campanha suprapartidária”.
Sem se deixar envolver nas dinâmicas partidárias entre PS e PSD, apontou à “estabilidade política” como “muito importante para o futuro do país”, e recusou comentar eventuais pedidos de demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Apesar das declarações recentes do diretor do SNS de que o sistema “não está em caos”, Seguro insistiu na gravidade da situação: “Há esperas de semanas e meses para consultas, falta de socorro e ambulâncias paradas. Esta é uma situação de emergência que me indigna.”
Sobre a Lei Laboral, o candidato reiterou que mantém reservas face à proposta do Governo. “Se o decreto chegar como está, essa é a minha posição. Espero que o Governo perceba que deve ouvir as partes e respeitar os representantes dos trabalhadores”, frisou.
Em relação a apoios, António José Seguro celebrou a adesão de figuras da direita, como Rui Moreira e José Miguel Júdice, antigos mandatários de Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes, respetivamente. “Fico muito feliz com todos os apoios, quer da esquerda, quer da direita. Isso mostra que é possível construir pontes”, afirmou.
Seguro destacou ainda o voto jovem como sinal de confiança. “Trinta por cento dos jovens votaram em mim. Isso é um sinal de esperança num Portugal moderno”, sublinhou.
Já quanto a uma eventual mensagem de António Costa, presidente do Conselho Europeu, o candidato revelou que ainda não recebeu qualquer felicitação. “As mensagens dos titulares de órgãos de soberania surgirão quando houver um Presidente eleito”, concluiu, antecipando o segundo confronto com André Ventura, adversário na segunda volta presidencial.



