Os 37 suspeitos detidos no âmbito da “Operação Irmandade”, conduzida pela Polícia Judiciária (PJ) contra um grupo de extrema-direita de ideologia neonazi, vão ser presentes a tribunal esta quarta-feira para primeiro interrogatório judicial. As diligências deverão iniciar-se a meio da manhã, no Tribunal Central de Instrução Criminal.
Os detidos passaram a noite na prisão anexa à Polícia Judiciária e serão conduzidos ao tribunal para serem ouvidos por um juiz de instrução. Só após um período máximo de 48 horas, e depois de concluída a identificação formal dos suspeitos, serão conhecidas as medidas de coação a aplicar. Para já, é expectável a aplicação de termo de identidade e residência, embora a decisão dependa da avaliação judicial e da colaboração dos arguidos com a Justiça.
Concluído o primeiro interrogatório, caberá ao Ministério Público propor as medidas de coação a aplicar a cada um dos arguidos, tendo em conta a gravidade dos factos, o risco de continuação da atividade criminosa e a eventual perturbação do inquérito.
A operação, desencadeada na terça-feira, envolveu 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias em vários pontos do país. Entre os suspeitos encontram-se um militar e um agente da polícia. No total, além dos 37 detidos, foram constituídos mais 15 arguidos.
A PJ anunciou ter desmantelado o grupo de extrema-direita designado “1143”, alegadamente liderado por Mário Machado, conhecido militante neonazi que se encontra a cumprir pena de prisão por crimes da mesma natureza e que, segundo a investigação, continuava a dar instruções a partir do estabelecimento prisional. Durante a operação foram apreendidas armas e diverso material com simbologia nazi.
O diretor nacional da Polícia Judiciária afirmou que a investigação teve como objetivo prevenir a ocorrência de crimes graves, incluindo homicídios, sublinhando que todos os crimes de natureza politicamente motivada terão resposta por parte das autoridades.
De acordo com a PJ, os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, têm “vastos antecedentes criminais” e mantêm ligações a grupos de ódio internacionais. A investigação sustenta que os suspeitos adotavam e difundiam a ideologia nazi e da extrema-direita radical e violenta, atuando por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, em particular imigrantes.
A organização apresentava uma estrutura hierárquica, com distribuição de funções, sendo suspeita da prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.



