O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lançou esta terça-feira um aviso contundente contra as tentações imperialistas e o revisionismo histórico durante a sessão solene no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. No quadro das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), o chefe de Estado português afirmou que qualquer tentativa de refazer a divisão do mundo pela força está condenada ao fracasso.
“Falhará quem o tente no século vinte e um, como falharam outros no século vinte”, vaticinou o Presidente, numa alusão clara aos regimes totalitários que mergulharam o mundo em conflitos globais no século passado. Num discurso de elevada densidade política, Marcelo rejeitou a ideia de “senhores únicos do globo” e criticou a tendência atual de minimizar o papel da Europa na geopolítica mundial.
A Europa como Antídoto ao Totalitarismo
Para o Presidente, a integração europeia é a maior vitória sobre o passado trágico do continente. Marcelo Rebelo de Sousa descreveu a União Europeia como: O berço da Democracia e farol das Liberdades; O esteio do Estado de Direito e referência do Estado Social; O espaço de reconciliação após a devastação do extremismo político.
Ao recordar o percurso democrático da Península Ibérica, o Chefe de Estado sublinhou que a transição para a liberdade após décadas de ditadura teria sido impossível “à margem da Europa”.
Embora tenha reafirmado a importância das parcerias históricas com o Reino Unido e os Estados Unidos, Marcelo deixou um alerta sobre a autonomia estratégica do bloco europeu. Segundo o Presidente, nenhuma aliança externa deve substituir a responsabilidade própria da Europa ou os seus valores fundamentais. Defendeu ainda a necessidade de investir mais em ciência, tecnologia, segurança comum e juventude para evitar a irrelevância perante novos “hemisférios de poder”.
O discurso encerrou com uma promessa de continuidade e fidelidade ao projeto comunitário. “Desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, reiterando que o país mantém a Europa como o seu horizonte estratégico e identitário.
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