O Chega desafiou esta quarta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a esclarecer em quem votará na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, colocando-o perante uma escolha entre André Ventura e António José Seguro.
A provocação partiu do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, na abertura do debate político, ao afirmar que passaram à segunda volta “um candidato socialista e um candidato que combate o socialismo”. “É a oportunidade única de derrotar o socialismo em Portugal”, afirmou, dirigindo-se diretamente ao chefe do Governo.
Pedro Pinto insistiu na pressão política, questionando: “Disse admitir fazer desaparecer o socialismo e dias depois disse que o maior problema é o socialismo. O que vamos fazer no dia 8 de fevereiro? Vai votar ao lado do socialismo ou ao lado de quem combate o socialismo?”.
Na resposta, Luís Montenegro rejeitou a leitura do Chega e sublinhou a separação entre diferentes atos eleitorais. “Não se pode confundir as duas voltas das eleições legislativas com as duas voltas das eleições presidenciais”, afirmou, acrescentando que “cabe ao primeiro-ministro respeitar a vontade soberana do povo português”.
O confronto político subiu de tom quando Montenegro acusou o Chega de incoerência, lembrando entendimentos parlamentares recentes com o Partido Socialista. “Em matéria de pontes, o Chega fez 82 pontes com o PS no último Orçamento do Estado”, atirou.
Pedro Pinto respondeu de imediato, acusando o primeiro-ministro de evitar a questão central. “Não basta dizer que somos como o Ronaldo e depois jogar à defesa”, afirmou, voltando a insistir na escolha presidencial: “Prefere apoiar um candidato com quem tem feito pontes na baixa de impostos e no combate à imigração ilegal, ou apoiar um candidato apoiado pelo PCP e pelo BE?”.
Luís Montenegro não esclareceu em quem votará na segunda volta, limitando-se a reiterar a crítica às convergências parlamentares entre o Chega e o PS, mantendo a distância em relação ao desafio lançado pelo partido de André Ventura.



