Pelo menos três habitações situadas junto às margens do Rio Cávado, na Vila de Prado, concelho de Vila Verde, estão em risco de evacuação face ao aumento significativo do caudal. A situação está a ser acompanhada pela Proteção Civil, numa noite que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) classifica como «muito complicada» para várias bacias hidrográficas do país.
Pelo menos três casas localizadas em zona ribeirinha na Vila de Prado encontram-se sob vigilância apertada devido à subida do nível do Rio Cávado, consequência da forte precipitação e das descargas das barragens a montante.
Em declarações à rádio Renascença, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, confirmou que a situação está a ser acompanhada em articulação com a Proteção Civil.
«Já falámos com a Proteção Civil, estamos a avaliar a situação, há ali umas casas junto às margens», afirmou, admitindo que está a ser ponderada «uma eventual retirada das pessoas» caso o caudal continue a aumentar. «Quem toma a decisão é a Proteção Civil», sublinhou.
Na Vila de Prado, registou-se ainda a queda de uma árvore de grande porte na zona de Carvalhinhos, bem como a queda de painéis de delimitação de obras, provocadas pelos fortes ventos que se fizeram sentir durante a noite.
APA prevê agravamento das cheias
A Agência Portuguesa do Ambiente alertou para um agravamento do risco de cheias no Norte e Centro do país durante a noite, devido à persistência da chuva e à saturação dos solos.
«Vai ser uma noite complicada, tenho que lhe confessar», declarou José Pimenta Machado, acrescentando que são esperados «picos de precipitação» em várias bacias hidrográficas.
A situação é considerada particularmente sensível nas bacias a norte do Mondego e no rio Tejo. No caso do Cávado, a Barragem da Caniçada encontra-se a descarregar cerca de 500 metros cúbicos por segundo, mantendo o sistema sob vigilância permanente.
«A situação está controlada, mas obriga a particular atenção. Tem de ser muito bem controlada e monitorizada», afirmou o responsável da APA.
Solos saturados e risco acrescido
O presidente da APA salientou que a sucessão de tempestades tem agravado o risco de cheias, uma vez que os solos se encontram completamente saturados.
«Estamos a passar uma situação verdadeiramente excecional. Os solos não absorvem nada, qualquer chuva transforma-se em escorrência e temos as barragens cheias», explicou.
Apesar do cenário complexo, José Pimenta Machado deixou uma nota de confiança:
«Estamos confiantes que as coisas vão correr bem, mas temos pela frente dias de alguma complexidade».
A Proteção Civil mantém a situação sob acompanhamento permanente, recomendando à população que evite deslocações desnecessárias junto às margens dos rios e que siga as indicações das autoridades.
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