Um castro da Idade do Ferro, posteriormente romanizado, foi identificado em Arcos de Valdevez na sequência da primeira escavação científica realizada no local, revelou hoje a autarquia. A descoberta inclui uma pedra formosa considerada “raríssima” em Portugal, elemento associado a estruturas balneares de castros do Noroeste peninsular.
Em declarações à agência Lusa, o arqueólogo municipal e chefe da Divisão de Desenvolvimento Sociocultural do município, Nuno Soares, explicou que estão previstas campanhas arqueológicas anuais, pelo menos até 2029, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o sítio e definir soluções para a sua valorização.
“Essas escavações vão permitir revelar mais sobre o castro e, sobretudo, encontrar soluções para a sua recuperação. O nosso objetivo é criar uma musealização ‘in situ’, recuperar uma ou duas casas e instalar um centro interpretativo”, adiantou o responsável.
Designado como Castro de Eiras, o sítio era apenas referido na bibliografia, sem confirmação científica, até à realização da primeira campanha arqueológica, no verão de 2025, que teve como finalidade avaliar o seu potencial. Segundo Nuno Soares, os resultados “revelaram um potencial arqueológico bastante grande”, não só pela dimensão da área — cerca de 10 hectares — como pelo estado de conservação e pela extensão dos vestígios.
A relevância do achado foi reforçada pela identificação de uma pedra formosa, um monólito com cerca de três toneladas, encontrado anteriormente durante trabalhos de construção de uma habitação e entretanto resgatado. “Existem apenas meia dúzia de exemplares conhecidos em Portugal. Este dado indica que se tratava de um castro estrategicamente importante”, sublinhou o arqueólogo.
A descoberta do castro resultou de uma prospeção geofísica, recorrendo a georradar e métodos magnéticos, que permitiram detetar uma vasta área com estruturas associadas aos séculos II a.C. a I d.C., incluindo habitações, arruamentos e sistemas defensivos. O sítio integra agora um projeto mais amplo de estudo da romanização do Vale do Vez, sendo considerado de referência para o Norte de Portugal.
Na primeira campanha arqueológica foram identificados vestígios da Idade do Ferro, nomeadamente as ruínas de uma casa circular com vestíbulo exterior e vários silos destinados ao armazenamento de produtos agrícolas. As escavações revelaram também materiais do período romano, confirmando que o povoado foi posteriormente romanizado.
O município pretende agora dar continuidade aos trabalhos arqueológicos e avançar com um projeto de valorização patrimonial que permita preservar e divulgar este importante testemunho da ocupação humana no território de Arcos de Valdevez há mais de dois mil anos.
SENSIBLIZAÇÃO À COMUNIDADE
O Município de Arcos de Valdevez, em parceria com a empresa Era Arqueologia, promoveu duas ações de sensibilização dirigidas às comunidades das freguesias de Eiras, Mei e Aboim das Choças, com o objetivo de alertar a população para a importância dos trabalhos arqueológicos em curso no designado Castro de Eiras.
O sítio foi alvo de uma intervenção arqueológica no verão de 2025, destinada a avaliar o seu potencial científico, que se revelou elevado, não apenas pela dimensão da área — cerca de 10 hectares — mas também pelo bom estado de conservação e pela extensão dos vestígios identificados.
Através de prospeção geofísica, recorrendo a georradar e métodos magnéticos, os arqueólogos detetaram uma vasta área com múltiplos elementos arqueológicos, incluindo habitações, arruamentos e estruturas defensivas, associados a um período compreendido entre os séculos II a.C. e I d.C. A descoberta integra-se num projeto mais amplo de estudo da romanização do Vale do Vez, passando o Castro de Eiras a constar como um sítio de referência para o Norte de Portugal e para o contexto nacional.
Na primeira campanha arqueológica foi confirmada a ocupação da Idade do Ferro, com a identificação de ruínas de uma casa circular com vestíbulo exterior e de vários silos destinados ao armazenamento de produtos agrícolas. As escavações permitiram ainda recolher materiais do período romano, evidenciando que o castro foi posteriormente romanizado.
Durante as sessões de esclarecimento à população, o presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves, destacou a importância da descoberta para a valorização do território a norte do concelho e anunciou a realização de visitas guiadas, destinadas exclusivamente à população local, para dar a conhecer os resultados dos trabalhos arqueológicos.
O autarca sublinhou ainda que as escavações irão prosseguir nos próximos anos e manifestou a intenção do município em avançar com a construção de um centro interpretativo, com o objetivo de atrair turistas e visitantes, promovendo o património e dinamizando a economia local.
Segundo a autarquia, o principal objetivo destas ações foi sensibilizar para a preservação deste importante marco histórico, permitindo que a população crie uma ligação mais próxima ao património, conheça melhor as suas raízes e se orgulhe da descoberta.








