Texto: Luís Sousa, Médico
A vesícula biliar é um órgão que se localiza junto ao fígado, do lado direito e superior do abdómen, que tem com principal função a de armazenar a bílis, libertando-a durante o decorrer da digestão para o tubo digestivo de forma a permitir a degradação das gorduras.
As pedras na vesícula formam-se quando alguns dos componentes da bílis, como o colesterol, entre outros, começam a solidificar e a formar agregados, dando origem aos cálculos. Nesse processo, podem formar-se cálculos únicos ou múltiplos e de vários tamanhos possíveis.
São exemplos de fatores de risco que predispõem ao desenvolvimento de cálculos biliares o sexo feminino, a idade avançada, a diabetes, a obesidade, o fígado gordo não alcoólico, a cirurgia bariátrica prévia, entre outros.
Cerca de 20% dos doentes com cálculos biliares desenvolvem complicações, sobretudo devido ao movimento dos cálculos para os canais das vias biliares. A colecistite aguda acontece quando um cálculo biliar obstrói as vias biliares, levando à retenção de bílis e à consequente inflamação da vesícula biliar. Outras complicações podem ser a inflamação das vias biliares (colangite) ou do pâncreas (pancreatite).
Muitas pessoas são assintomáticas – cerca de 80% dos doentes com cálculos biliares – e, portanto, nunca chegam a saber que têm cálculos na vesícula, acabando por descobrir que apresentam a litíase vesicular de forma incidental quando realizam uma ecografia abdominal. Quando os cálculos migram para os canais biliares provocam obstrução e interrompem a passagem da bílis para o tubo digestivo, podendo surgir dor súbita, sobretudo após uma refeição rica em gorduras.
A dor, normalmente, localiza-se na parte superior direita do abdómen, logo abaixo das costelas, sendo uma dor tipo cólica, ou seja, que aumenta e diminuiu de intensidade de forma intermitente. Pode, também, associar-se a enjoos ou vómitos e até febre.
O diagnóstico deste problema de saúde é feito através de ecografia abdominal sendo que o tratamento pode ser diferente consoante a existência ou não de sintomatologia, as características do doente e a presença de fatores de risco para complicações. A decisão de tratar ou manter a vigilância deverá ser sempre ponderada e discutida com o médico assistente.
O tratamento definitivo da litíase biliar é a cirurgia de remoção da vesícula, habitualmente feito por via laparoscópica através de pequenos orifícios na parede abdominal, havendo, também, outras formas possíveis de tratar a doença, como, por exemplo, através de ondas de choque (litotrícia) ou através de medicação.



