Texto: Major Pedro Costa, representante das Forças de Segurança na CPCJ de Vila Verde – Guarda Nacional Republicana
Em muitas casas repete-se o mesmo cenário: cada um com o seu ecrã, séries, jogos online, vídeos curtos. A internet faz parte do dia a dia, mas aquilo que as crianças fazem atrás de um ecrã pode ter impacto na sua segurança e autoestima.
No âmbito da campanha “Escola Segura” e do Dia da Internet Mais Segura, a GNR reforça o trabalho nas escolas para alertar sobre os riscos do cyberbullying, contactos de cidadãos virtuais ou partilha da vida privada. Nenhuma ação substitui o papel de quem está todos os dias em casa.
Hoje, até um simples emoji pode ter duplo significado. Frutas, legumes ou símbolos aparentemente inofensivos são usados para representar partes do corpo, conteúdos sexuais ou drogas. Pais e encarregados de educação devem estar atentos a estas “linguagens escondidas” e perguntar o que significam, sem julgamentos, para detetar sinais de aliciamento ou comportamentos de risco.
Proteger começa em gestos simples: definir regras de utilização, evitar equipamentos nos quartos à noite, combinar tempos sem ecrãs, conhecer as aplicações e jogos que os filhos usam e, sobretudo, manter o diálogo aberto. Perguntar “com quem jogas?” ou “o que vês?” é tão importante como qualquer software de proteção.
É essencial explicar, em linguagem adequada à idade, que há dados que nunca devem ser partilhados, como nome, morada ou escola, e que fotografias e vídeos, depois de enviados, deixam de estar sob controlo de quem os partilha. Ensinar a desconfiar de pedidos de informação, de ofertas “boas demais para ser verdade” e de mensagens que pedem segredo são uma ajuda na prevenção do crime.
Os adultos devem dar o exemplo: usar palavras-passe seguras, ativar a autenticação de dois fatores e confirmar sempre a origem das mensagens antes de clicar.
Uma internet segura constrói-se em parceria entre família, escola, CPCJ e forças de segurança. Mas é em casa, na forma como os adultos acompanham e escutam as crianças e os jovens, que se dá o primeiro clique na proteção digital das novas gerações.



