Os pescadores dos rios Minho e Lima estão a enfrentar sérias dificuldades na captura de lampreia, devido às condições meteorológicas adversas que se fazem sentir nas últimas semanas. A situação é descrita como a mais grave de que há registo, não por falta de peixe, mas pela impossibilidade de exercer a atividade em segurança.
“É a maior crise de sempre, não há memória. Não por falta de peixe, mas pelas condições meteorológicas. Tem sido demais. Há mês e meio que não temos conseguido trabalhar”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação de Pescadores do Rio Minho, Augusto Porto.
A época da lampreia coincide com o período em que a espécie entra nos rios para se reproduzir. No rio Minho, a captura iniciou-se a 5 de janeiro e deveria terminar a 31 de março, mas os pescadores solicitaram a prorrogação do prazo por uma semana, até ao início de abril, devido às sucessivas tempestades.
Segundo Augusto Porto, a forte agitação marítima e o caudal elevado dificultam a faina, sobretudo na zona da foz. “Na barra não se consegue trabalhar. A montante, os pescadores enfrentam lixo, troncos e inertes arrastados pelo rio, o que torna impraticável lançar as redes”, explicou.
Atualmente, cerca de 150 embarcações portuguesas e espanholas operam no troço internacional do rio Minho, atravessando um período de grande incerteza económica. “É na época da lampreia e do meixão que garantimos o sustento para o resto do ano. Estamos em meados de fevereiro e praticamente não houve capturas”, acrescentou.
No rio Lima, a situação apresenta um cenário ligeiramente mais favorável. De acordo com o presidente da associação local, Fernando Ferreira, apesar das intempéries, a campanha “está a correr melhor do que no ano passado”, que foi considerado um dos piores de sempre. “A lampreia gosta de água doce, mas o excesso de chuva prejudica os pescadores mais do que o peixe”, afirmou.
Também nas pesqueiras de Melgaço, estruturas tradicionais classificadas no Inventário Nacional do Património Imaterial, a época iniciou-se recentemente. Diogo Castro, proprietário de várias pesqueiras, considera que a chuva intensa pode ser positiva: “A água doce empurra as lampreias do mar para o rio, facilitando a subida. Quando há pouca água é mais difícil chegarem cá”.
O troço internacional do rio Minho, entre Monção e Melgaço, concentra cerca de 900 pesqueiras, das quais 150 estão ativas em Portugal e cerca de 90 em Espanha, sendo estas armadilhas utilizadas tradicionalmente para a captura de lampreia, sável, salmão e savelha.
A lampreia, que pode ultrapassar um metro de comprimento e atingir dois quilos de peso, é considerada uma iguaria da gastronomia minhota, sendo também um importante recurso económico para as comunidades ribeirinhas, agora fortemente afetadas pelas condições meteorológicas extremas.



