Né Malheiro está a viver aquilo que durante muitos anos foi apenas um sonho de menino. Natural de Moure, Vila Verde, o jovem piloto tem nas motas uma paixão antiga, que começou ainda na infância e que hoje ganha forma no mundo da competição motorizada.
«Quando era pequeno, um conhecido ia à minha casa mostrar-me as motas dele. Ficava fascinado. Foi aí que começou o meu sonho», recorda Né Malheiro, que adquiriu a sua primeira mota há cerca de seis anos. A partir desse momento, a ligação tornou-se cada vez mais forte. «Desde o momento em que tive a primeira, foi sempre a querer mais. Nunca mais parei», confessa.
Apesar de já ter concretizado parte desse sonho, faltava ainda dar o passo mais ambicioso: a competição. Um objetivo que, no entanto, acabou por ser adiado devido a vários problemas físicos.
«Era para começar a correr há quatro anos, mas nesse período fui operado três vezes aos dois joelhos. Foram operações graves, que me atrasaram completamente o objetivo de correr no quadcross», explica o piloto vilaverdense.
Já totalmente recuperado, Né Malheiro conseguiu finalmente estrear-se no ano passado, uma fase que considera fundamental para a sua evolução enquanto piloto. «Foi uma experiência que correu melhor do que eu pensava, mesmo não estando fisicamente a 100%», afirma.
Ao longo da época, participou em várias provas, destacando-se pela competitividade demonstrada em pista. Um dos exemplos foi a participação na X-Trophy, em Barcelos, prova que contou com a presença de 36 pilotos. «Cheguei perto do pódio, mas a mota não colaborou. Ainda assim, andei sempre entre os mais rápidos e consegui o segundo melhor tempo», sublinha.
Aliás, foi precisamente essa competição que o jovem considera como a mais exigente da época. «Apesar de gostar mais de saltos, esta prova de todo-o-terreno foi a que mais gostei até ao momento», revela.
Outro aspeto que Né Malheiro destaca é o contacto direto com atletas mais experientes, algo que considera essencial para a sua evolução. «Correr ao lado dos melhores, andar colado a eles e conseguir acompanhar os da frente é muito bom. Cheguei a um patamar que nunca pensei alcançar», admite o piloto.
Um dos momentos mais marcantes da sua ainda curta carreira aconteceu precisamente na X-Trophy de Barcelos. «Consegui fazer a segunda melhor volta entre 36 pilotos. Fomos os únicos a rodar a pista em 10 minutos», conta, com orgulho. «Em pista, nos saltos em quadcross, houve também algumas quedas, mas andei sempre entre os mais rápidos», acrescenta.
Né Malheiro reconhece, contudo, que a época passada teve como principal objetivo a aprendizagem e a adaptação à competição. «Serviu essencialmente para ganhar experiência e para me habituar ao ritmo das provas, já a pensar nesta época. A preparação era pouca, muito pouca mesmo. Fisicamente nem estava perto dos 100%», admite.
Chegar ao pódio
Na presente temporada, o piloto de Vila Verde vai competir no Troféu Norte e no Troféu Pentacontrol, com metas bem definidas. «Este ano quero fazer todas as provas e lutar por um pódio, somando as classificações de ambos os troféus. Esse é o objetivo», afirma.
O Troféu Norte assume um significado especial para o vilaverdense, por se tratar de uma competição disputada na região. «Onde eu gostava mesmo de conseguir um pódio era no Troféu Norte, porque é aqui da zona. Corremos perto de casa, como na pista do Pico de Regalados. Ganhar aí seria um sonho. Se tudo correr bem e fizer uma boa preparação, acredito que consigo chegar ao pódio já este ano», refere.
A médio prazo, Né Malheiro pretende continuar a evoluir e a ganhar experiência, com o olhar já posto em competições de maior dimensão. «Também quero fazer provas de resistência, como no ano passado, mas é difícil fazer todas em Portugal porque são longe. Este ano será também um ano de preparação para, no próximo, tentar entrar no Nacional de Todo-o-Terreno», explica.
Com apenas 23 anos, Né Malheiro mantém os pés bem assentes no chão, mas a motivação continua intacta. «Isto é o sonho de criança. Hoje consigo fazer aquilo que sempre quis quando era miúdo. Quero dar provas e construir uma carreira segura», concluiu.
Esforço para se afirmar no motociclismo / Conjuga trabalho e paixão para competir
A preparação para as provas é particularmente exigente, sobretudo para um piloto amador, que tem de conjugar a atividade profissional com os treinos e a preparação física para a competição. Apesar das dificuldades, Né Malheiro não abdica do compromisso com o desporto.
«Vou melhorar a alimentação, reforçar a fisioterapia e treinar mais, mas o tempo é sempre curto. Levanto-me às seis e meia da manhã e chego a casa por volta das oito da noite. Torna-se complicado, mas o amor à competição é o que me move», explica o piloto vilaverdense, sublinhando o esforço diário necessário para se manter competitivo.
Consciente das exigências dos patamares mais elevados da modalidade, Né Malheiro reconhece que ainda há aspetos a aprimorar antes de dar o salto para o plano nacional. «A resistência é o que mais me falta. É isso que preciso de desenvolver», admite, apontando esse fator como uma das prioridades para o futuro.
Entre as referências que o inspiram no quadcross, o jovem piloto destaca um nome do panorama internacional. «O Joel Hetrick, dos Estados Unidos, é uma grande inspiração para mim», revela.
O motociclismo é também um desporto particularmente dispendioso do ponto de vista financeiro e o piloto conta com várias ajudas para continuar a para dar asas ao seu sonho.
Reportagem Jornal “Desportivo Vale do Homem”










