O Governo volta a reunir-se esta quarta-feira à tarde com as confederações patronais e a União Geral de Trabalhadores (UGT) para discutir as alterações à legislação laboral, num encontro que decorre sem a participação da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP).
A reunião está marcada para as 15h00, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), em Lisboa, e será presidida pela ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, confirmou fonte ministerial.
À mesa deverão sentar-se representantes da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) e da União Geral de Trabalhadores. A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses não foi convocada, confirmou fonte da intersindical à agência Lusa.
O encontro decorre fora do quadro formal da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), onde a CGTP tem assento, dando seguimento a reuniões técnicas que o ministério tem vindo a realizar com as entidades patronais e a UGT.
Em causa está o anteprojeto de reforma laboral designado “Trabalho XXI”, apresentado pelo Governo liderado por Luís Montenegro em julho de 2025 e ainda em discussão no âmbito da Concertação Social, antes da eventual submissão de uma proposta de lei ao parlamento.
As alterações então propostas mereceram oposição das centrais sindicais, que classificaram a iniciativa como um ataque aos direitos dos trabalhadores. A contestação culminou numa greve geral convocada conjuntamente pela CGTP e pela UGT, realizada a 11 de dezembro de 2025. Já as confederações empresariais saudaram a reforma, ainda que defendam ajustamentos em alguns pontos.
Perante as críticas sindicais, o executivo apresentou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, mantendo, contudo, as linhas estruturais da reforma. A UGT respondeu com uma contraproposta entregue a 4 de fevereiro, sublinhando a existência de “linhas vermelhas” em matérias como o banco de horas, a contratação a termo, os despedimentos, o recurso ao ‘outsourcing’, a negociação coletiva, a greve e a atividade sindical nas empresas.
Entre as principais mudanças previstas no anteprojeto estão o regresso do banco de horas individual, alterações aos contratos de trabalho a termo certo e incerto, o fim de restrições ao ‘outsourcing’ após despedimentos, a eliminação do período experimental de 180 dias no primeiro emprego, ajustes nas regras do teletrabalho e a possibilidade de os trabalhadores solicitarem até dois dias adicionais de férias com perda remuneratória.
O pacote inclui ainda o alargamento dos serviços mínimos em caso de greve, alterações à licença parental — com partilha obrigatória entre progenitores —, mudanças nas regras da amamentação e ajustamentos no subsídio parental.



