O ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, deslocou-se esta terça-feira, 24 de fevereiro, ao Baixo Mondego para se reunir com agricultores e autarcas, na sequência dos prejuízos provocados pelas recentes inundações e intempéries. O encontro teve como objetivo avaliar os danos no terreno e esclarecer as medidas de apoio disponíveis.
Em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, sublinhou a importância da presença do governante na região. “É preciso perceber que vivemos momentos de muita tensão e que a nossa grande preocupação agora no Baixo Mondego são os nossos agricultores. É normal que queiramos o senhor ministro da Agricultura no terreno”, afirmou.
Apesar do momento de confronto registado horas antes, a autarca elogiou a atuação do ministro. “Não esperem da parte dos presidentes de Câmara ou dos ministros pessoas perfeitas. Nós temos sentimentos e, nestas horas, falam muitas vezes mais alto do que a razão. Não tenho a mínima dúvida de que temos um ministro da Agricultura parceiro e que ele sabe o que faz”, declarou, num tom conciliador.
Recorde-se que Ana Abrunhosa tinha confrontado publicamente o governante durante uma visita ao dique do rio Mondego que rompeu, acusando-o de prestar declarações à comunicação social antes de reunir com os autarcas. À chegada, José Manuel Fernandes respondia a perguntas dos jornalistas, o que motivou a reação da autarca socialista.
“Há um dever institucional que o senhor tem de falar com os autarcas. Se o senhor vem fazer conferência de imprensa, nós vamo-nos embora”, afirmou então Ana Abrunhosa, que foi ministra da Coesão Territorial nos governos liderados por António Costa.
O ministro respondeu que estava apenas a esclarecer os jornalistas de forma “educada”, reconhecendo, contudo, que a presidente da Câmara “tem razão”, o que o levou a interromper as declarações e a iniciar a visita técnica. Ainda assim, voltou a ser interpelado pela autarca, tendo sublinhado que não estava a realizar uma conferência de imprensa formal.
O encontro terminou com um clima mais distendido, descrito por alguns presentes como um “abraço de amizade”, simbolizando a aproximação entre o Governo e o poder local num contexto de emergência agrícola e de necessidade de respostas rápidas às populações afetadas.



