A história da Vila de Prado também se conta através de objetos de grande peso simbólico e material. Um desses exemplos é a Cruz pertencente à Irmandade do Senhor dos Passos, atualmente em destaque na exposição comemorativa dos 350 anos da instituição.
A peça foi oferecida em 1915 pelo pradense Francisco Lopes Ferraz, reconhecido como um dos grandes benfeitores de Prado Santa Maria. Anos antes, em 1880, já tinha doado os andores utilizados nas procissões. Presume-se que, numa fase inicial, a cruz terá sido usada para acompanhar os irmãos da Irmandade nos funerais, em substituição da cruz paroquial.
Tradicionalmente integrada no compasso pascal da localidade, a cruz tornou-se conhecida pelo seu peso invulgar, sendo, segundo relatos, a última a ser escolhida pelos voluntários para o transporte. “Por ser tão pesada, ninguém a quer”, comentava-se durante a inauguração da exposição, realizada no passado sábado, onde a peça figura entre os objetos expostos.
Uma recente avaliação permitiu concluir que o peso elevado da cruz se deve à composição integral em ouro e prata, o que a transforma numa peça de elevado valor artístico e material. Face a esta descoberta, e por razões de segurança, é forte a possibilidade de a cruz deixar de integrar futuramente o compasso pascal.
Em declarações à reportagem, o pároco da Vila de Prado, João Alberto Sousa Correia, classificou o objeto como “uma peça altamente artística e valiosíssima”, sublinhando a importância do seu enquadramento histórico e religioso para a comunidade local.
A cruz passa agora a ser encarada não apenas como elemento devocional, mas também como património de grande relevância, reforçando o valor cultural e histórico da Irmandade do Senhor dos Passos e da própria Vila de Prado.
[email protected] / Com Emílio Costa (CO 1179)



