As várias tempestades que atravessaram Portugal nos últimos meses provocaram danos em quase 240 mil habitações, sendo que cerca de metade não dispunha de seguro multirriscos, de acordo com um estudo do Impact Center for Climate Change da Fidelidade.
A investigação, analisada pelo jornal Expresso, avaliou os impactos das depressões Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta e Nils, que deixaram um rasto significativo de destruição em várias regiões do país. No total, foram identificadas 237 mil casas afetadas, das quais 51,4% não tinham cobertura de seguro.
A depressão Kristin destacou-se como a mais severa. Segundo o estudo, afetou cerca de 205 mil habitações, das quais 108 mil — o equivalente a 52,7% — não estavam protegidas por qualquer apólice. Nos 12 concelhos mais atingidos, mais de 30% das casas sofreram danos diretos.
Os municípios de Leiria e da Marinha Grande estiveram entre os mais fustigados, com registos que apontam para danos em seis a sete habitações por cada dez. A região Centro concentrou parte significativa dos prejuízos, refletindo a intensidade dos ventos e da precipitação associados à passagem da depressão.
O estudo conclui ainda que as casas equipadas com painéis solares foram particularmente vulneráveis às fortes rajadas de vento, registando níveis de destruição superiores à média. Os prejuízos globais provocados pela Kristin são estimados como quatro vezes superiores aos causados pela tempestade Leslie, que atingiu o país em 2018.
A análise abrangeu cerca de 85% das participações de sinistros comunicadas às seguradoras até 24 de fevereiro, permitindo traçar um retrato abrangente do impacto das intempéries recentes no parque habitacional português.
Os autores do estudo alertam para a elevada percentagem de habitações sem seguro, sublinhando que a ausência de cobertura expõe milhares de famílias a perdas financeiras significativas em cenários de fenómenos meteorológicos extremos, cuja frequência tende a aumentar no contexto das alterações climáticas.



