A Europol alertou esta semana que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento na União Europeia é atualmente considerado elevado, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente e às suas repercussões no crime organizado e na segurança interna do espaço europeu.
Numa resposta enviada à agência Agência Lusa, uma porta-voz da agência europeia para a cooperação policial sublinhou que o conflito na região tem “repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo” dentro da UE.
Segundo a Europol, a ameaça poderá manifestar-se sobretudo através da radicalização de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas que operam no território europeu.
A agência alerta ainda que a rápida disseminação de conteúdos polarizadores nas redes digitais pode acelerar processos de radicalização no curto prazo, particularmente entre membros de diásporas que vivem atualmente na Europa.
Possível atuação de grupos aliados do Irão
A Europol admite também a possibilidade de atividades desestabilizadoras por parte de grupos aliados do Irão, referindo o chamado “Eixo da Resistência”, que inclui organizações como o Hezbollah, o Hamas ou os Huthis.
De acordo com a agência, estas estruturas ou redes criminosas ligadas a instituições de segurança iranianas podem envolver-se em várias ações, desde ataques terroristas e campanhas de intimidação até ao financiamento de terrorismo, ciberataques, desinformação e esquemas de fraude online.
Além da ameaça terrorista, a Europol prevê também um possível aumento de ataques informáticos contra infraestruturas e empresas ocidentais caso o conflito se prolongue.
Segundo a agência, redes criminosas e grupos terroristas poderão aproveitar o aumento do fluxo informativo para desenvolver campanhas de fraude e desinformação, recorrendo inclusive a ferramentas de inteligência artificial. Entre os alvos potenciais encontram-se instalações diplomáticas, infraestruturas públicas ou críticas e outros locais considerados vulneráveis.
Ainda assim, a Europol indica que, até ao momento, não existem sinais de impacto direto do conflito num aumento do tráfico de migrantes.
União Europeia reforça medidas de segurança
Em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, afirmou que a principal prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos cidadãos europeus.
Entre as medidas adotadas estão o reforço dos controlos fronteiriços e o uso do Sistema de Informação Schengen, base de dados comum que permite aos Estados-membros emitir alertas relacionados com terrorismo.
O responsável europeu destacou também a implementação do novo sistema de entrada e saída da UE, em funcionamento gradual desde outubro e previsto estar totalmente operacional em abril. Segundo Brunner, o mecanismo já permitiu deter cerca de 500 pessoas consideradas uma ameaça para a União Europeia.
O atual contexto de alerta surge após o agravamento do conflito no Médio Oriente, desencadeado após uma ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, no final de fevereiro, que provocou centenas de vítimas e agravou a instabilidade na região.



