O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, defendeu este sábado que o Governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos económicos da guerra no Irão, alertando que as consequências da atual situação internacional poderão agravar-se nos próximos meses.
À entrada de uma reunião com militantes para a apresentação da sua recandidatura à liderança do partido, na Lagoa, na ilha de São Miguel, nos Açores, o líder socialista afirmou que as medidas anunciadas até agora são insuficientes. “O Governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos desta guerra no Médio Oriente, que não apenas tenha impacto nos combustíveis, mas também na redução dos custos dos bens alimentares e dos empréstimos à habitação”, afirmou.
Carneiro considerou ainda que a redução do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) anunciada pelo Governo constitui uma “medida escassa nos seus efeitos”, lembrando que a descida corresponde ao aumento aplicado no final de dezembro. Na sua perspetiva, o Executivo deve clarificar se pretende ou não adotar medidas com impacto real na redução do preço dos combustíveis.
O líder socialista anunciou também que irá reunir na segunda-feira com empresas ligadas ao setor dos transportes e da distribuição alimentar, para avaliar os impactos económicos da situação internacional, que classificou como potencialmente “profundos e duradouros”.
Chega pede devolução do IVA e debate urgente
Também este sábado, o presidente do Chega, André Ventura, desafiou o Governo a devolver aos contribuintes a receita adicional de IVA resultante da subida dos combustíveis, defendendo que o Estado não deve beneficiar do aumento dos preços.
O líder do Chega anunciou que o partido vai solicitar um debate de urgência na Assembleia da República para discutir a redução do IVA nos combustíveis e nos alimentos. Ventura classificou como insuficiente o desconto extraordinário de 3,55 cêntimos por litro no ISP aplicado ao gasóleo rodoviário, anunciado pelo Ministério das Finanças.
Ventura acusou ainda o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de ter feito declarações enganosas no último debate quinzenal, afirmando que, perante um aumento de cerca de 23 cêntimos por litro no gasóleo, a compensação agora anunciada deixa os consumidores a suportar a maior parte da subida.
Impacto internacional e posição sobre a Base das Lajes
Durante a intervenção nos Açores, José Luís Carneiro abordou também a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos, após a escalada militar no Médio Oriente. O líder socialista afirmou confiar nas declarações do primeiro-ministro de que não ocorreram movimentos fora do acordo bilateral entre Portugal e os EUA.
Carneiro sublinhou que os Estados Unidos são um aliado estratégico fundamental, mas defendeu que a base deve ser utilizada no respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas.
O líder do PS referiu ainda que os Açores enfrentam um momento crítico da sua vida económica e social, apontando dificuldades em setores como o turismo, a construção civil e a fixação de jovens na região.
A tensão internacional intensificou-se depois de um ataque militar lançado por Estados Unidos e Israel contra o Irão a 28 de fevereiro, que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, desencadeando preocupações quanto ao impacto económico global do conflito.



