Os preços dos combustíveis deverão registar uma nova subida em Portugal na próxima semana, com aumentos superiores a oito cêntimos por litro, acompanhando a recente escalada do preço do petróleo nos mercados internacionais.
De acordo com estimativas baseadas no fecho dos mercados na quarta-feira, o gasóleo poderá subir cerca de oito cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá aumentar cerca de 8,5 cêntimos.
A subida surge numa altura de forte instabilidade no mercado energético, após o preço do petróleo ter voltado a ultrapassar a barreira dos 100 dólares por barril. A valorização do crude tem sido impulsionada pelo agravamento das tensões no Médio Oriente, incluindo ataques na costa sul do Iraque que atingiram navios petroleiros e provocaram a suspensão de operações em alguns portos petrolíferos.
Segundo informações divulgadas internacionalmente, três navios petroleiros terão ficado em chamas após um ataque atribuído ao Irão, situação que também afetou depósitos de petróleo no Bahrein e condicionou o tráfego marítimo na região.
A Agência Internacional de Energia alertou entretanto para o risco de uma das maiores crises de sempre no mercado global de petróleo, tendo em conta o impacto potencial destas perturbações no abastecimento mundial.
Apesar da libertação de reservas estratégicas por vários países — uma medida em que Portugal também participa — os preços continuam pressionados. Autoridades iranianas chegaram mesmo a admitir a possibilidade de o barril atingir os 200 dólares caso a instabilidade persista.
O impacto já se começa a refletir nos preços ao consumidor. Em Portugal, o valor final dos combustíveis resulta sobretudo da evolução das cotações internacionais e da carga fiscal aplicada.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que o Governo não fixa diretamente os preços praticados nos postos de abastecimento. “Não é o Governo que decide qual é o valor. O Governo pode decidir depois, na questão dos descontos do ISP, como tem feito”, afirmou.
Ainda assim, os valores finais podem sofrer ajustes até ao final da semana, dependendo da evolução dos mercados petrolíferos internacionais. A volatilidade reflete as incertezas provocadas pelo atual contexto geopolítico, cujas consequências continuam a ter impacto direto no custo da energia.



