O filósofo alemão Jürgen Habermas, considerado uma das figuras mais influentes do pensamento europeu contemporâneo, morreu aos 96 anos na cidade de Starnberg, no sul da Germany. A informação foi confirmada este sábado pela editora Suhrkamp Verlag através de uma publicação na rede social Bluesky.
Nascido em 1929, em Düsseldorf, Habermas afirmou-se ao longo de várias décadas como um dos mais relevantes intelectuais do século XX e início do século XXI, sendo amplamente reconhecido pelo contributo para a filosofia, a teoria social e o pensamento político.
Pensador central da teoria social
Ao longo da sua carreira, o filósofo desenvolveu conceitos que se tornaram referências fundamentais no debate académico e político internacional. Entre os mais conhecidos destacam-se a teoria da esfera pública, que analisa a formação da opinião e do debate nas sociedades modernas, a ética discursiva, que defende que as normas sociais e políticas devem resultar de processos racionais e participativos no espaço democrático, e o agir comunicacional, proposta teórica que procurou atualizar e reformular a tradição crítica associada à Escola de Frankfurt.
Estas ideias influenciaram profundamente áreas como a filosofia política, a sociologia e as ciências da comunicação, consolidando Habermas como um dos autores mais citados e debatidos nas universidades de todo o mundo.
Vida pessoal e legado
Nas últimas décadas, Habermas residia em Starnberg. Era casado com Ute Wesselhoeft, falecida em 2025, e deixa três filhos: Tillmann, Rebekka — que morreu em 2023 — e Judith.
Com uma obra vasta e amplamente traduzida, o pensador alemão era frequentemente descrito como um “clássico vivo” da filosofia contemporânea, estatuto raro entre intelectuais ainda em atividade. A sua reflexão sobre democracia, racionalidade e comunicação continuará a marcar o debate académico e político nas próximas gerações.



