A CGTP convocou uma Manifestação Nacional para o próximo dia 17 de abril, em Lisboa, com o objetivo de exigir aumentos salariais e contestar as atuais medidas laborais, numa altura de crescente pressão sobre os rendimentos das famílias.
A decisão foi tomada em reunião do Conselho Nacional da central sindical, realizada esta quarta-feira, que coloca no centro das reivindicações o “aumento geral e significativo dos salários e pensões”, apontando o agravamento do custo de vida como um dos principais fatores de mobilização.
O protesto assume também uma posição clara contra essa subida do custo de vida, defendendo medidas que aliviem a pressão sobre trabalhadores e reformados, ao mesmo tempo que reforça a exigência de garantia de direitos, defesa dos serviços públicos e revogação de normas consideradas gravosas.
A CGTP posiciona-se ainda frontalmente contra o ‘Pacote Laboral’, defendendo a sua retirada e a reversão de medidas que considera prejudiciais, reiterando que os trabalhadores rejeitam retrocessos e exigem uma política que respeite os princípios consagrados na Constituição.
A central sindical enquadra esta convocatória num contexto mais amplo de luta, sublinhando que a mobilização dos trabalhadores tem sido determinante para travar alterações legislativas que, na sua perspetiva, favorecem interesses patronais. Recorda, nesse sentido, a adesão a recentes ações, incluindo greves e manifestações, como prova de uma rejeição generalizada dessas propostas.
Mais à frente, a CGTP destaca que a unidade e persistência dos trabalhadores são essenciais para garantir avanços, defendendo o reforço dos serviços públicos e criticando o que considera ser um desinvestimento em áreas como saúde, educação, proteção social e habitação.
A central sindical alerta ainda para o impacto das opções políticas na degradação de serviços essenciais e considera urgente uma mudança de rumo, com maior investimento nas funções sociais do Estado e valorização do trabalho.
Neste contexto, a manifestação será guiada pelo lema “’baixo o Pacote Laboral! Aumentar salários, garantir direitos, é possível uma vida melhor’, procurando mobilizar trabalhadores de vários setores para uma resposta alargada nas ruas.
ATAQUE DEMOCRÁTICO
O momento de contestação surge também acompanhado de críticas diretas ao Governo. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, acusou o executivo de protagonizar um “ataque democrático” ao afastar a central sindical das negociações sobre alterações à lei laboral.
Segundo o dirigente, a CGTP não se colocou à margem do processo, tendo sido antes excluída das reuniões entre o Governo, a UGT e as confederações patronais. “Aquilo que está a passar-se é um autêntico ataque democrático”, afirmou, denunciando um processo que considera “minado de desrespeito”.
Tiago Oliveira garantiu ainda que a organização continuará a mobilizar trabalhadores contra as propostas do executivo, defendendo que estas representam um ataque aos direitos laborais. O dirigente anunciou também novas formas de luta em discussão e a intenção de levar as preocupações da central sindical ao Presidente da República.
Num cenário de crescente tensão social e política, a manifestação de 17 de abril surge assim como mais um momento de pressão para travar o pacote laboral e exigir melhores salários, direitos e serviços públicos.



