O Ministério Público (MP) acusou o influencer Tiago Grila de três crimes relacionados com o atropelamento de uma mulher na Amadora, em janeiro de 2024.
Em causa estão os crimes de ofensa à integridade física grave por negligência, omissão de auxílio e condução sem habilitação legal.
Numa nota, publicada esta quinta-feira, a Procuradoria da República da Comarca de Lisboa Oeste indicou que “os factos ocorreram no dia 17 de janeiro de 2024, nas imediações do Bingo da Amadora, local de onde ofendida acabara de sair, tendo-se dirigido a uma passagem para peões e aguardado pelo verde para iniciar a travessia da mesma”.
De acordo com a acusação, enquanto atravessava a passadeira, a mulher foi atropelada pela viatura conduzida pelo arguido, de 34 anos, acabando por cair e perder os sentidos.
A acusação revelou, ainda, que o ofendido “saiu do veículo, aproximou-se da ofendida e, após ter estado junto da mesma por alguns momentos, regressou à viatura e encetou fuga para parte incerta, não prestando qualquer auxílio nem tendo chamado o INEM”.
A vítima acabou por sofrer “dores e lesões, que afetaram a sua capacidade de trabalho durante mais de um ano”.
Posteriormente, apurou-se que o influencer não era titular de documento que legalmente o habilitasse a conduzir o tipo de veículo em que seguia.
Na semana passada já tinha sido noticiado que a PSP tinha proposto ao MP que Tiago Grila fosse acusado dos crimes de ofensa à integridade física e omissão de auxílio.
A polémica em torno de Tiago Grila explodiu em janeiro de 2025, depois de ter revelado no ‘Podcast do Mestre’ que um dos seus segredos era que tinha “atropelado uma pessoa e fugido”.
O momento acabou por tornar-se viral nas redes sociais e influenciador começou a ser investigado pelas autoridades, que apuraram que o atropelamento aconteceu a 17 de janeiro de 2024 junto ao Bingo, na Amadora, Lisboa.
Tiago Grila disse que o segredo era, afinal, uma mentira e que o que disse era apenas “uma estratégia de marketing”.
No entanto, a vítima sofreu vários ferimentos e ficou com traumas psicológicos devido ao acidente.
Numa entrevista à SIC Notícias, a vítima lembrou que foi ao ouvir a ‘confissão’ do influencer, no referido podcast, que reconheceu a situação. “Revi o acidente todo que tinha passado naquele momento”, recordou, descrevendo depois que, nessa noite, partiu o braço, levou “pontos na cabeça” e partiu também os dentes da frente, que “ainda tem por arranjar”.
ACUSAÇÃO DESCABIDA
Depois de o caso ser noticiado, o influencer declarou estar “surpreendido” com a notícia, na qual foi “associado, incorretamente, a um suposto atropelamento que ocorreu no ano passado”.
“Quero deixar claro que essa associação à minha pessoa é completamente falsa e descabida”, escreveu nas redes sociais. Posteriormente, deu várias entrevistas a negar qualquer crime e a reiterar que tudo se tratou de uma estratégia de “marketing”.
Em fevereiro do ano passado, Tiago Grila viajou para Angola, alegando “questões de segurança”. “Derivado a questões de segurança, muitas ameaças que tenho recebido, até isto estar resolvido, vou numas feriazinhas”, indicou na rede social TikTok.
Regressou semanas depois, no final de março, e garantiu estar “completamente descansado”, uma vez que “acredita na justiça portuguesa”. Em junho, foi constituído arguido pelo MP.



