O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) alertou que o aumento dos preços dos bens alimentares pode tornar-se “brutal”, afetando não só os produtores agrícolas, mas também os consumidores, sobretudo num contexto de instabilidade internacional.
Em entrevista ao Jornal de Negócios, Álvaro Mendonça e Moura defendeu a necessidade de medidas urgentes por parte do Governo para mitigar os efeitos do aumento dos custos de produção, agravados pelo conflito no Médio Oriente.
“O Governo tem que ter em conta que é preciso um apoio específico neste momento aos agricultores, sob pena de termos impactos diretos no consumidor, nos preços da alimentação”, afirmou o responsável.
Segundo o presidente da CAP, o prolongamento da tensão geopolítica poderá pressionar ainda mais os fatores de produção, como a energia, os fertilizantes e o transporte, criando dificuldades acrescidas ao setor agrícola.
Álvaro Mendonça e Moura considera que, caso o conflito se mantenha, o Executivo deverá reforçar as medidas de apoio. “Se esta situação continuar, o Governo terá de ir mais longe e estabelecer apoios diretos”, sublinhou.
O responsável alerta que, sem intervenção, o aumento dos custos ao longo da cadeia de produção acabará inevitavelmente por refletir-se nos preços finais dos alimentos, penalizando os consumidores e agravando o custo de vida.
A CAP defende, assim, uma resposta célere e direcionada, que permita garantir a sustentabilidade das explorações agrícolas e evitar uma escalada significativa dos preços no mercado alimentar.



