A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, vai morrer esta quinta-feira através de eutanásia, depois de uma longa batalha judicial de 601 dias que opôs a jovem ao próprio pai.
O processo ficou concluído esta semana, após o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitar o último recurso apresentado por Gerónimo Castillo, confirmando a legalidade do procedimento e afastando dúvidas sobre a capacidade da jovem para tomar a decisão.
Noelia Castillo tinha solicitado a morte medicamente assistida depois de ter ficado paraplégica, na sequência de uma tentativa de suicídio em outubro de 2022. O pedido foi aprovado em julho de 2024 por uma entidade governamental da Catalunha, que considerou que a jovem apresentava um quadro clínico “irrecuperável”, marcado por dependência severa, dor crónica e sofrimento intenso.
No entanto, o pai opôs-se à decisão e avançou com um processo judicial, apoiado pela organização Abogados Cristianos, prolongando o caso por quase dois anos.
Em declarações ao programa televisivo espanhol “Y ahora Sonsoles”, Noelia afirmou: “Espero finalmente poder descansar, porque não aguento mais a dor nem tudo o que me atormenta desde que passei por isso”. A jovem reconheceu ainda a oposição da família, mas defendeu o seu direito a pôr fim ao sofrimento: “Quero partir já em paz e deixar de sofrer, ponto final”.
Segundo a própria, a decisão foi também influenciada por experiências traumáticas, incluindo episódios de abuso e agressão sexual. Noelia revelou ainda o desejo de enfrentar o momento final sozinha, sem a presença de familiares.
A eutanásia é legal em Espanha desde junho de 2021, tornando-se um dos primeiros países da União Europeia a permitir a morte medicamente assistida. O caso de Noelia Castillo foi o primeiro no país a chegar aos tribunais, levantando um debate público sobre os limites legais, éticos e familiares deste direito.



