O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta terça-feira que os países sem produção própria de petróleo devem procurar alternativas por conta própria, sugerindo que comprem combustível aos EUA ou que tentem obtê-lo diretamente no Estreito de Ormuz.
Numa publicação nas redes sociais, o líder norte-americano dirigiu críticas a aliados, como o Reino Unido, acusando-os de falta de envolvimento no conflito com o Irão. “Comprem aos EUA, nós temos bastante, ou arranjem coragem e vão ao estreito buscá-lo”, escreveu, acrescentando que os países devem “aprender a defender-se” sem depender do apoio norte-americano.
As declarações surgem num momento de forte instabilidade internacional, com a continuação dos bombardeamentos conjuntos dos EUA e de Israel sobre território iraniano, incluindo infraestruturas estratégicas como a central nuclear de Isfahan.
O conflito, que se intensificou no final de fevereiro, já provocou mais de três mil mortos, sobretudo no Irão, e está a ter um impacto significativo nos mercados energéticos globais. O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — tem provocado disrupções no abastecimento e forte volatilidade nos preços.
O barril de Brent ultrapassou recentemente os 100 dólares, tendo registado uma subida superior a 45% desde o início da escalada militar. Nos EUA, o preço médio da gasolina já ultrapassou os quatro dólares por galão.
Trump tem alternado entre sinais de abertura a negociações diplomáticas com Teerão e ameaças de intensificação da ação militar. Esta semana, alertou que, caso não seja alcançado um cessar-fogo e o estreito não seja reaberto, os EUA poderão alargar as operações, incluindo ataques a infraestruturas petrolíferas estratégicas.
Além das vítimas no Irão e em Israel, o conflito já afetou vários países da região, com registo de mortos e deslocados no Líbano e noutras áreas do Médio Oriente, agravando a instabilidade geopolítica e os receios quanto ao impacto prolongado na economia global.



