Braga voltou na última noite a mergulhar na solenidade e no misticismo da Semana Santa com a realização da Procissão do Senhor «Ecce Homo», popularmente conhecida como Procissão dos Fogaréus. O evento, um dos mais marcantes do calendário religioso da cidade, reuniu centenas de participantes e milhares de fiéis e visitantes ao longo do percurso.
Organizada pela Irmandade da Misericórdia, a procissão recria o momento bíblico do julgamento de Jesus Cristo e a sua apresentação ao povo após a flagelação. A figura central surge coroada de espinhos, envolta num manto púrpura e segurando uma cana — símbolos da humilhação e escárnio sofridos.
O cortejo abriu, como dita a tradição, com os enigmáticos farricocos — figuras descalças, encapuçadas e trajadas de negro — que percorrem as ruas empunhando matracas e fogaréus acesos. A sua presença, envolta em silêncio e penumbra, recria a prisão de Cristo e estabelece uma atmosfera de recolhimento, penitência e contemplação que distingue esta procissão das restantes.
Seguiram-se diversas representações bíblicas, membros de Misericórdias vindas de diferentes regiões do país e alegorias das catorze obras de misericórdia. Este conjunto reforça a dimensão pedagógica e espiritual do cortejo, centrada em valores como a compaixão, o serviço ao próximo e a solidariedade.
Mais do que um evento religioso, a Procissão do Senhor «Ecce Homo» assume-se como uma manifestação de identidade cultural e memória coletiva. Entre o crepitar dos fogaréus e o som ritmado das matracas, Braga reafirma, ano após ano, a força de uma tradição que une fé, história e comunidade numa noite de profundo impacto simbólico.
[email protected] /fotos: Município de Braga





























































